Biblioteca Viva

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Lembro-me…

«Entre a vasta obra do escritor João Pedro Mésseder, nós, alunos das turmas B e C do 8.º ano da Escola Inês de Castro do Agrupamento Coimbra Oeste, escolhemos o livro Lembro-me, por este nos parecer um precioso testemunho de tempos que, por sermos muito jovens, não vivemos, mas que não podemos nem queremos ignorar

Foi com estas inspiradas palavras que os nossos alunos introduziram a atividade que, no memorável encontro com o escritor, apresentaram na Casa da Cultura de Coimbra.
No início da sessão, a expectativa e o entusiasmo eram bem visíveis…







E que bom foi conhecer o autor, ouvindo-o falar da sua vida, da sua obra e do que é ser escritor…



As palavras que generosamente nos dirigiu permitiram-nos confirmar o que tínhamos aprendido sobre a génese da obra Lembro-me, uma vez que, na nota prévia, João Pedro Mésseder nos diz:

«Escrevi este texto em 2012, por dever de memória. […]
Pretendi transmitir o testemunho de alguém que, em 25 de Abril de 1974, tinha acabado de fazer dezoito [anos].
Dirigia-me, assim, a um público já nascido e crescido num país onde as liberdades democráticas são uma realidade – cada vez mais ameaçadas, é certo, apesar de duramente conquistadas pela luta do povo ao longo de quarenta e oito anos de ditadura salazarista e marcelista.
Trata-se, pois, do testemunho de alguém que ainda conheceu razoavelmente o Portugal dos anos sessenta e setenta do século XX e se dirige a quem, pela sua juventude, já não pôde, felizmente, conhecer esse país cinzento e triste. […]
Escrevi este texto, por dever de memória.»
 

E a apresentação correu tão bem que mereceu um especial aplauso de João Pedro Mésseder:
 
                   


Na sessão de autógrafos, foi muito bom receber o elogio do autor pelo trabalho apresentado. 
 
                  

Resta-nos dizer que ler a obra Lembro-me, de João Pedro Mésseder, foi um enorme prazer. Tão grande que a quisemos dar a ler aos outros.

Por dever de memória!

 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

«Dar Voz aos Afetos…»

Na cinzenta e chuvosa manhã do dia 13 de fevereiro, Florbela Espanca, William Shakespeare, Carlos Drummond de Andrade, Eça de Queirós e Fernando Pessoa iluminaram a nossa biblioteca, pela mão e pela voz dos sete mais recentes e corajosos elementos da Trupe Leal Conselheiro, dinamizada, como é sabido, pela alquimista e professora Ana Paula Santos.
À sua espera, encontravam-se os alunos do 9.º A, 9.º B e 9.º C
A expectativa era grande…







 Que bom foi ver e ouvir «A quadrilha», na deliciosa versão das alunas do 9.º C Clara Albino, Érica Pontes, Maria João Silva e Renata Cardoso
 
 


 
Conheces o texto?
 
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
 Carlos Drummond de Andrade
 

E que dizer da bela leitura encenada de um excerto da obra Romeu e Julieta, de William Shakespeare?
 





O Pedro Marta, aluno do 10.º C da ES D. Duarte,
 
 
 
 
deu-nos a conhecer um outro Eça, lendo este excerto de uma carta do autor à sua futura esposa:
 
Cada Dia que Passa me Aproxima de Si

Bom! Recebo neste instante a sua carta escrita à luz de uma só vela - e tenho de retirar tudo, tudo, tudo o que escrevi! Pois acabou-se! Não retiro. A minha querida dizia no outro dia que devíamos mostrar um ao outro todos os estados de espírito em que tivéssemos estado. Mostro-lhe, assim, que estive hoje, ontem, antes de ontem num estado de impaciência por uma palavra sua, gemendo e queixando-me de «ne voir rien venir». E mostro-lhe assim o desejo de ter todos os dias, ou quase todos, um doce, adorado, apetecido e consolador «petit mot». [...]
  Eça de Queirós,  Carta a Emília de Resende (1885) 
 
E foi mesmo Florbela em pessoa que nos brindou com a sua presença e nos fez felizes…


        [...]  Tu tens-me feito feliz, como eu nunca tivera esperanças de o ser. Se um dia alguém se julgar com direitos a perguntar-te o que fizeste de mim e da minha vida, tu dize-lhe, meu amor, que fizeste de mim uma mulher e da minha vida um sonho bom; podes dizer seja a quem for, a meu pai como a meu irmão, que eu nunca tive ninguém que olhasse para mim como tu olhas, que desde criança me abandonaram moralmente, que fui sempre a isolada que no meio de toda a gente é mais isolada ainda. Podes dizer-lhe que eu tenho o direito de fazer da minha vida o que eu quiser, que até poderia fazer dela o farrapo com que se varrem as ruas, mas que tu fizeste dela alguma coisa de bom, de nobre e de útil, como nunca ninguém tinha pensado fazer. Sinto-me nos teus braços defendida contra toda a gente e já não tenho medo que toda a lama deste mundo me toque sequer.
 
Florbela Espanca,  Correspondência (1920)

 
E vejam só este espantoso Fernando Pessoa…
 
 



e o que ele nos leu:
 
Bebezinho do Nininho-ninho
 
Oh!
 
Venho só quevê pâ dizê ó Bebezinho que gostei muito da catinha d’ella. Oh!
E também tive munta pena de não tá ó pé do Bebé pâ le dá jinhos.
Oh! O Nininho é pequinininho!
Hoje o Nininho não vae a Belem porque, como não sabia s’havia carros, combinei tá aqui às seis o’as.
Amanhã, a não sê qu’o Nininho não possa é que sahe d’áqui pelas cinco e meia (1) (isto é a meia das cinco e meia).
Amanhã o Bébé espera pelo Nininho, sim? Em Belém, sim? Sim?

jinhos, jinhos e mais jinhos
Fernando
31/05/1920
 
(1) No original, há aqui o desenho de uma meia.



Terminámos em beleza, pela mão do Pedro Bento, aluno do 10.º C , e do Fernando Santos, aluno do 12.º C, que nos garantiram que só quem nunca escreveu cartas de amor é que é ridículo…
 


 
 

Todas as cartas de amor


Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Fernando Pessoa






Os aplausos foram mais do que merecidos!
Muito obrigado e muitos parabéns a todos!



quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

LIVROS QUE VOAM…

Quando um livro levanta voo da estante de uma qualquer biblioteca e tem a sorte de encontrar chão no palco improvisado de quatro destemidos e talentosos atores, o resultado é uma festa feita de sorrisos, aprendizagens e gargalhadas, que os alunos do 1.º CEB do AECO dificilmente esquecerão.

Nos dias 5, 6, 7 de novembro e 1 de dezembro, a Companhia Profissional de Teatro «AtrapalhArte» visitou a Biblioteca Inês de Castro e consigo trouxe o espetáculo «Robertices», baseado na obra homónima de Luísa Dacosta, que integra as Metas Curriculares de Português do 1.º CEB.

Os alunos do 1.º, 2.º, 3.º e 4.º ano da EB1 de São Martinho do Bispo, do 1.º, 2.º, 3.º e 4.º ano da EB1 de Espírito Santo das Touregas, do 1.º, 2.º, 3.º e 4.º ano da EB1 da Póvoa de S. Martinho, 1.º ano da EB1 de Almas de Freire, 4.º ano da EB1 de Fala, os alunos do 5.º A e 5.º B da EB 2.3 Inês de Castro e alunos do 2.º ano do Curso de Animador Sociocultural da ES D. Duarte (cerca de 400 alunos, no total das sessões) já tiveram esta bela oportunidade.

A festa foi o que se viu…
 
 

 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

«A violência não é a nossa praia»

No dia 24 de novembro, inserido no Projeto do Agrupamento de Escolas Coimbra Oeste "A violência não é a nossa praia", teve lugar, na Biblioteca da nossa Escola, uma atividade performativa realizada pelos alunos do 2.º ano do Curso de Animador Sociocultural sobre a temática da violência doméstica, seguida de debate. Esta atividade, desenvolvida no âmbito do Projeto de Educação para a Saúde (PES), teve como público-alvo os alunos do 9.º ano.
Partindo de situações de violência nas relações de intimidade, desde o namoro até à realidade da violência conjugal, este trabalho de expressão dramática pretendeu alertar os alunos para a problemática da violência, assim como para as situações em que a violência, na relação de intimidade, se prolonga no tempo, aumentando de frequência e de gravidade.

O resultado foi uma atividade original e profundamente enriquecedora para todos aqueles que nela participaram.
 
 

 


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

«António Gedeão e o Dia Nacional da Cultura Científica»


No dia 24 de novembro, os alunos das turmas do 7.º e 8.º ano da nossa escola comemoraram esta data, na Biblioteca Escolar, apresentando pequenas dramatizações, trabalhos científicos, lendo e dramatizando poemas de António Gedeão.
O ponto alto do dia foi, sem sombra de dúvida, aquele em que os talentosos atores (e professores da ES D. Duarte) Ana Paula Santos e João Paulo Janicas nos brindaram com declamações únicas de textos como «Poema para Galileo», «Lição sobre a água», «Dia de Natal», «Poema do fecho éclair», «Certezas, precisam-se», «Impressão digital», «Poema do coração», «Pedra Filosofal», «Poema do gato», «Lágrima de preta», «Poema do eterno retorno», «Tempo de poesia», entre muitos outros…
 


O melhor será dar a palavra a quem lá esteve…
 
 
O Dia Nacional da Cultura Científica,
um dia a não esquecer,
uma atividade magnífica
que em nós vai permanecer.
Talita Santos, 8.º B
 
Adorei a atividade, estava tudo fantástico. Os professores leram maravilhosamente bem, fiquei deslumbrada!
Ângela Cachias, 8.º B
 
Foi mais um momento especial aquele que, no dia 24 de novembro, passámos na Biblioteca da nossa Escola.
Houve oportunidade de ouvir música, ouvir poemas maravilhosamente declamados e até tivemos tempo para preparar surpresas para quem consideramos mais especial para nós. São estes momentos que nos marcam para sempre.
 
Carolina Carvalho, 8.º C
 
Quando se junta teatro, poesia, música e alegria,
o resultado só pode ser pura magia.

Com amigos, professores e recém-conhecidos,
estes momentos nas nossas memórias ficam bem vividos.

A Biblioteca ficou mais vaidosa,
cheia de luz, versos e prosa.
 Inês Saraiva, 8.º B
 
Privilegiada. Foi como me senti naquele momento de grande emoção, em frente de tanta gente. Adorei a atividade e gostava de fazer mais como esta.
Leonor Santos, 8.º C

Tristeza e solidão
Duas palavras em vão
Felicidade e harmonia
É que são poesia.
Francisco Monteiro, 8.º B

Mais uma atividade construtiva e engraçada. Até poderia dizer para continuarmos assim, mas certamente vamos melhorar, pois dia para dia vamos crescendo um pouco, com a ajuda deste tipo de atividades.
João Costa, 8.º C


 Adorei participar na atividade escolar
Foi um dia mesmo espetacular!
Vou fazer uma avaliação
Garantindo que foi uma animação.

Gostei de ouvir e saborear os poemas
Irei pensar e refletir sobre os temas.

Senti-me orgulhosa da nossa participação
Esta atividade tocou o meu coração!

 Tatiana Fernandes, 8.º B
 
Foi um momento magnífico, espetacular!
Saboreámos as poesias declamadas pelos nossos colegas e pela magnífica professora de teatro, que os dizia de uma maneira arrepiante, fazendo com que as pessoas ficassem hipnotizadas, como se não houvesse mais nada, mesmo mais nada, a não ser ela. Gostei muito desta atividade, que não só serviu para saborearmos os poemas mas também para nos fazer aprender e crescer.

Margarida Barreirinhas, 8.º C

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

«A poesia é para comer»


 
Na nossa Biblioteca, o «Dia Mundial da Alimentação» foi comemorado com a apresentação de trabalho científicos, realizados no âmbito das disciplinas de Ciências e de Físico-Química, e com a declamação de poesia, cuja leitura foi preparada nas aulas da disciplina de Português.
Todos pudemos saborear poemas como «Ponho palavras em cima da mesa», de Nuno Júdice, «Dobrada à moda do Porto», de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos), «O quotidiano não», de Alexandre O’Neill, «Armário de especiarias e ervas aromáticas», «Meditação» e «As maçãs», de Jorge Sousa Braga, «Frutos», de Eugénio de Andrade, «A verdade histórica», de Ana Luísa Amaral, «Memórias das infâncias», de Adília Lopes, «Bombardeamento publicitário», de Victor Matos e Sá, «Trem de ferro», de Manuel Bandeira, entre outros…

Aqui ficam dois testemunhos de natureza bem diferente:


Coimbra, 16 de outubro de 2014
Pois fiquem sabendo que hoje se comemora o «Dia Mundial da Alimentação». Desde sempre me fez confusão usar a palavra «mundial» neste contexto. Quantas centenas, milhares, milhões de pessoas não pensaram nesta causa, hoje?
É claro que, infelizmente, nem toda a gente tem um simples pão. Sim, simples! Nós, felizmente, temos o que comer. Não é esse o problema. O problema está nas pessoas que, não tendo culpa, não têm o que comer. Nestes últimos dias, tenho andado a pensar, a pensar nisto muito a sério. E sabem que mais? Somos uns felizardos por, de três em três horas, termos as nossas bolachas, a carne ao almoço e o peixe ao jantar.
A atividade na Biblioteca correu muito bem. Estive com todos os meus colegas e com a turma do 8.º B a apreciar textos de Natália Correia, Jorge Sousa Braga, Eugénio de Andrade, Ana Luísa Amaral, Nuno Júdice, Fernando Pessoa e de muitos outros grandes poetas.
Senti, porém, uma grande confusão dentro de mim. Por ter o meu lanchinho, mas ser inútil por não poder fazer nada contra a fome mundial. Faz-me muita confusão este termo «mundial». É claro que podemos sempre contribuir para as associações. Mas, aqui, o problema está no facto de estas não chegarem a todo o lado.
Tem de ser feito mais!
Tem de haver uma sociedade capaz de perceber o próximo!
Tem de haver uma sociedade que não pense neste tema apenas hoje, por ser o «Dia Mundial da Alimentação»!
Fiquem a pensar nisto…

Nuno Santos_ n.º 16_8.º C


«A poesia é para comer»

Hoje foi um dia de nutrição de palavras que apenas esperavam sair dos nossos pulmões, fixado o olhar no ritmo das palavras… Seria um compasso binário? Talvez ternário…
Não sei, mas uma coisa eu sei. Eu sei que sei. Declamei o poema «O Quotidiano Não», de Alexandre O’Neill. Lembro-me da confusão de sentimentos. Respirei fundo e concentrei-me. Eu queria ler, disso estava certa! Eu queria transmitir o que sentia, fazer cada ouvinte abrir um solo naquele momento musical.

Ouvi as outras pessoas embalarem as suas palavras, as suas sílabas, oferecendo um ar mais puro, pedaços de alma, numa sincronização perfeita de cada verso, até ao ponto final.
Como me senti? Bem, isso é uma pergunta difícil, é como escrever um diário…

O que sinto não sei explicar, perguntem às palavras e ao contexto… Mas pode dizer-se que me senti bem! Um sentimento bom, normal, mas mais quente.
Não consigo acabar o meu diário com um ponto final. Isso faz-me sentir mal. Até pode ser um erro gramatical, mas não quero fechar cada segundo deste dia maravilhoso, por isso fica no vácuo, para sempre, este sentimento, neste papel.

Lucinda Cardoso_n.º 12_8.º C