quinta-feira, maio 06, 2021

CONTAR HISTÓRIAS COM A AVÓ AO COLO

 





O livro infantil Contar histórias com a avó ao colo, lançado em Moçambique para celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, reúne 16 contos originais de autoras de oito países lusófonos.

 

Editada pela Escola Portuguesa de Moçambique - Centro de Ensino e Língua Portuguesa e pelo Camões - Centro Cultural em Maputo, com o patrocínio da Rede de Bibliotecas Escolares, a obra remete para ditados e expressões populares e para o conhecimento passado de geração em geração. Contar Histórias com a Avó ao Colo reúne autoras de todos os estados-membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), à exceção da Guiné Equatorial. Conta, assim, com a participação de Lurdes Breda (Portugal), Mariana Lanelli (Brasil), Maria Celestina Fernandes (Angola), Natacha Magalhães (Cabo Verde), Kátia Casimiro (Guiné-Bissau), Angelina Neves (Moçambique), Olinda Beja (São Tomé e Príncipe) e Maria do Céu Lopes da Silva (Timor-Leste). A ilustração e o design editorial são da autoria de Tânia Clímaco e a coordenação editorial é da responsabilidade de Teresa Noronha.

 

Para além da edição em suporte de papel, a obra estará disponível em suporte digital, podendo ser descarregada gratuitamente no sítio do instituto Camões de Maputo. Na página do evento, poder-se-á também aceder ao vídeo de divulgação do lançamento, com testemunhos das autoras e leituras de crianças dos países envolvidos.


in Blogue RBE








quarta-feira, maio 05, 2021

DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA

 










O Dia Mundial da Língua Portuguesa comemora-se a 5 de maio. Este dia celebra a projeção da quarta língua mais falada no mundo. Com cerca de 260 milhões de falantes, é língua oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. É também um das idiomas oficiais de Macau. Existem importantes comunidades falantes do português na América do Norte. As Nações Unidas estimam que, em 2050, 387 milhões de pessoas falem português. 


Na União Europeia, cerca de 3% da população fala português, sendo um dos 24 idiomas oficiais e de trabalho e é, de facto, a 3.ª língua oficial da UE mais falada no mundo. Os cidadãos europeus de língua portuguesa têm acesso à legislação e aos documentos fundamentais da UE em português e o direito de se dirigirem por escrito a qualquer instituição ou órgão da UE em português e de receber uma resposta na mesma língua.


As reuniões do Conselho Europeu e do Conselho da União Europeia são interpretadas para todas as línguas oficiais e, no Parlamento Europeu, os representantes eleitos pelos cidadãos também têm o direito de se expressar em português ou em qualquer uma das demais línguas oficiais da UE.


(in Enquadramento Dossiê UE - Lusofonia | Portal Eurocid)





A UNESCO propõe-nos o vídeo “Dia Mundial da Língua Portuguesa – uma língua, tanto para unir”, que foi criado pela agência DDB Portugal.









domingo, abril 25, 2021

CELEBRANDO O 25 de ABRIL



Raquel Sebastião
Raquel Sebastião 






Foram dias foram anos a esperar por um só dia.
Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doía
Com seus riscos e seus danos. Foi a noite e foi o dia
Na esperança de um só dia.

Foram batalhas perdidas. Foram derrotas vitórias.
Foi a vida (foram vidas). Foi a História (foram histórias)
Mil encontros despedidas. Foram vidas (foi a vida)
Por um só dia vivida.

Foi o tempo que passava como nunca se passasse.
E uma flauta que cantava como se a noite rasgasse
Toda a vida e uma palavra: liberdade que vivia
Na esperança de um só dia.

Musa minha vem dizer o que nunca então disse
Esse morrer de viver por um dia em que se visse
um só dia e então morrer. Musa minha que tecias
um só dia dos teus dias.

Vem dizer o puro exemplo dos que nunca se cansaram
musa minha onde contemplo os dias que se passaram
sem nunca passar o tempo. Nesse tempo em que daria
a vida por um só dia.

Já muitas águas correram já muitos rios secaram
batalhas que se perderam batalhas que se ganharam.
Só os dias morreram em que era tão curta a vida
Por um só dia vivida.

E as quatros estações rolaram com seus ritmos e seus ritos.
Ventos do Norte levaram festas jogos brincos ditos.
E as chamas não se apagaram. Que na ideia a lenha ardia
Toda a vida por um dia.

Fogos-fátuos cinza fria. Musa minha que cantavas
A canção que se vestia com bandeiras nas palavras:
Armas que o tempo tecia. Minha vida toda a vida
Por um só dia vivida.


Manuel Alegre, Trova do Mês de Abril




Faz agora 7 anos, os alunos das turmas de 7.º, 8.º e 9.º anos da nossa escola assistiram ao espetáculo «A Liberdade está a passar por aqui - 40 anos de uma Revolução», com encenação de Leonor Barata, produção do grupo teatral AtrapalhArte e participação de alunos do Curso de Artes do Espetáculo do Colégio São Teotónio, em Coimbra.

Deixamos aqui o extraordinário poema "Queixa das Almas Jovens Censuradas", de Natália Correia, na voz de José Mário Branco, e a memória de um espetáculo inesquecível que a todos nos convidou a revisitar a construção da liberdade, refletindo sobre as suas consequências no nosso quotidiano e nas nossas vidas.




 













sexta-feira, abril 23, 2021

DIA MUNDIAL DO LIVRO 2021

 





«O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril, data escolhida com base na tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de S. Jorge, e recebem em troca um livro, testemunho das aventuras do heróico cavaleiro. Neste dia, comemora-se também o Direito de Autor.


Em 2021, os ilustradores Susana Diniz e Pedro Semeano (dupla conhecida por Adamastor), Menção Especial do Prémio Nacional de Ilustração em 2020, conceberam a imagem do cartaz. Com ele, pretendem mostrar que, um ano após o início da pandemia, é o livro que continua a abrir-nos o espaço de isolamento físico, mas que também permite que o pensamento floresça e seja sempre cada vez mais livre.»


Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB)










quarta-feira, abril 21, 2021

«88 Palavras para Contar uma História de Coragem» _ II

 




Nestes duros tempos em que o imediato e o "descartável" reinam (não, não estamos a falar só de máscaras...), tornou-se cada vez mais invulgar ver alguém cuidar de um texto, questioná-lo, limá-lo, aperfeiçoá-lo, dedicando- -lhe, em suma, a sua generosidade, o seu tempo e o melhor de si.

Seria por isso imperdoável se não continuássemos a divulgar os textos que nos foram chegando no âmbito do Desafio de Escrita Criativa "88 Palavras para Contar uma História de Coragem".

Aqui ficam, pois, mais alguns belíssimos exemplos.









Vislumbro o infinito
Sinto o sol poente
Exuberante, estou aflito
O vento frio, perdido na mente
Respiro, sozinho estou
Olho em frente, para outro lado vou


Memórias passadas, tempos honrados
Fui herói, vassalo do dever
Arbítrio do destino
Esquivo, sobre todos tem poder
Trouxe-me aqui, onde me abato
Defronte às nuvens sem formato


Salvei os humildes, miseráveis
Nada têm, nem sustento
Seres humanos vulneráveis
Que à base do sofrimento
Trabalham para vis senhores
Que os exploram, aproveitadores


A luz já perto
Expira o peito, desabo
Amanhã não desperto.



A. S. F. | 9.º C















Partiram para mar alto. Mulheres de rosto enlutado, sem saber o destino dos amados filhos e esposos, imploravam que desistissem. Invadida pelo desânimo e desespero, optei por não ir para um último adeus.

Quem parte jamais volta desse abismo matizado de azul e de medo. Jamais voltará a esta praia. Mas, para alívio da dor, volto sempre ao penedo pedindo ao horizonte vazio um desenho de velas latinas.

Naquela tarde, avistei dois dos navios que dali partiram. Aproximei-me da ilusão. Traziam apenas um mapa. Meu filho não voltou. 


R. C. | 9.º A















Já não sabia quem era. Tinha perdido toda a memória de família, tribo, pátria. Estava abandonado naquela ilha inóspita e não sabia porquê.

Andava pelas praias e foi vendo que às vezes no horizonte se avistava uma vela. Era isso! Tinha que subir ao promontório mais alto da ilha, onde poderia ser visto!

E ali esperou, esperou, debaixo daquele sol ardente, perto daquela estúpida árvore que nem sombra dava. Quanto tempo? Já não havia tempo...

E o dia veio! Duas velas! Ali estavam eles! E o futuro também. 



R. S. | Docente de Educação Visual
















Passados quarenta anos, o que restaria da promessa que haviam feito? 
Ainda jovens, prometeram, todos os anos, juntar-se naquele mesmo rio e desfrutarem de um dia rodeados pela natureza.

Passaram quarenta anos e não houve um só em que não respeitassem a promessa. Mas, desta vez, tudo aparentava ser diferente, ambos sentiam que podia ser a última vez que se viam ou viam o rio ou o pequeno urso, que sempre os visitava. 

Nenhum deles se queria despedir, preferindo a ousadia de desfrutar de uns últimos momentos juntos.


J. A. M. | 9.º A














Maria olhava para o mar sem fim, enquanto as ondas rebentavam violentamente na areia. Toda a vida assim foi… Ali esperava o retorno de Ernesto, que se fizera à faina. Sempre aflita, temendo que o mar lho levasse. Desde que, há meses, o “Amor de Mãe” virou nas ondas revoltas e três bravos se enlearam nas redes, Maria não parava sabendo-o ali, perdido naquela imensidão… Ernesto salvara--se, então, arrastando para a praia o Xavier e o Zé da Aurora. E apenas dois dias volvidos fez-se, novamente, ao mar.


L. R. | Docente de Português e de História















São horas a fio refletindo sobre a mesma questão: de que modo viemos aqui parar?

Horas a fio, aquelas em que, por breves momentos, nos tranquilizamos pela bravura de quem sobreviveu.
Reuniões, atualizações, dúvidas… São horas a fio, à espera de um final.
Porventura um dia, daqui a uns anos, os nossos heróis poderão ter uma boa noite de sono. (Que absurdo, dito assim!...)
Queremos todos evitar o medo, o abismo do tempo... Ter quem espere por nós no final e nos revele que amanhã poderemos finalmente despertar.



L. O. | 9.º A













O mundo não vai parar
 

Existem dois tipos de realidade, uma perfeita, outra imperfeita, uma existe, a outra não.
De qualquer forma, o modo de pensar nestes mundos é variável...

Esta história é de todos, pois todos temos bons pensamentos. E todos temos o mesmo dia para esperar que o vírus se vá embora e nos devolva a liberdade. Neste momento, resta-nos esperar e lembrar aqueles belos dias na praia quando sonhamos e vemos barcos na linha do horizonte. 

Mas importa lembrarmo-nos sempre: o mundo não vai parar!


M. M. | 5.º D














De um monte, ao lado de um sobreiro, todos os verões uma mulher admirava ao pôr do sol a partida dos batéis. Fora ali que o seu marido se despedira e fizera uma promessa antes de partir:

“ - Prometo que voltarei antes de este sobreiro espessar e afundar raízes.”

Porém, naquele verão, veio a hora de, desassombradamente, deixar ir a promessa e dura memória que o sobreiro alimentara durante tantos anos, e superar a perda.

Desbastou o sobreiro e persistiu na sua vida, não retornando mais àquele monte saudoso.


L. M. | 9.º A

















Há demasiado tempo que estava sozinho, que uma turva e sombria neblina lhe toldava a visão além do arrependimento. Há demasiado tempo que era atormentado pelas sombras que só ele via e nenhum outro ser se empenhava sequer em ouvir, que esperava pela mão que o puxaria para fora do seu mundo feito de sentimentos que o não deixavam dormir. 

No fim, o medo e o desespero rendiam-se a uma sinistra ordem. 

No fim, a bravura partia, abandonando-o, sem dó, independente da sua forte vontade de eternamente lutar.


E. A. | 9.º A















A Volta


A manhã estava tranquila. O sol quente de verão queimava o rosto daquela mulher que, ansiosamente, esperava o marido na volta dos Estados Unidos, no enorme navio que tardava.

As horas passaram e a noite vinha leve, iluminada pela lua redonda e brilhante, que brotou de mansinho no horizonte.

Por fim, o som da buzina do navio mal se ouvia, abafado pelo barulho das ondas do mar.

O navio aportou e de lá saíram muitas pessoas, apressadas. Afetos e beijos para todos, beijos que mataram saudades!


L. M. | 5.º D















Era uma vez um mundo que foi invadido por um vírus. O mundo tornou-se doente e os seus habitantes tiveram medo. Para sobreviverem tiveram que se isolar e mudar a sua maneira de viver. Foram tempos de enorme tristeza. Não sabiam bem o que fazer…

Nesta luta infernal, os soldados usavam bata. Não estavam preparados, mas não desistiram, mesmo quando estavam exaustos, mesmo quando se perderam tantas vidas.

A sua bravura salvou o mundo e a humanidade passou a dar mais valor ao que realmente importa na vida.


D. C. | 9.º A

















terça-feira, abril 20, 2021

«88 PALAVRAS PARA CONTAR UMA HISTÓRIA DE CORAGEM»

 





Teresa Calçada, Comissária do Plano Nacional de Leitura, afirmava há dias que "participar é vencer". 


Esta afirmação adequa-se, na perfeição, aos muitos e corajosos participantes no nosso Desafio de Escrita Criativa deste ano. 

A tarefa era árdua: contar, a partir de uma imagem, uma História de Coragem em 88 Palavras, não podendo  nenhuma delas conter nem a letra "C" nem a letra "G".


Iniciamos hoje a divulgação de alguns dos fantásticos textos que nos chegaram.










Ela sentia-se sozinha. Ela estava sozinha. E apenas porque ser "fixe" não era o seu forte. Por isso distraía-se a ler um livro ou a ouvir o vento soprando nas árvores. Os pais estavam sempre a pedir-lhe que falasse sobre isso, pedisse ajuda. Nunca o fizera. 

Assim, anos a fio, manteve-se sozinha…

Até que um dia, suspeitando que não era assim tão diferente de todos os outros, levantou os olhos, aproximou-se de um aluno da turma e, levada por uma bravura que não sabia que tinha, disse:

- Olá!


T. M. | 8.º B














Aqui estão eles: lados opostos, sentimentos semelhantes. Absorvidos pelo mundo, sem outra pessoa para os entender. 

Talvez seja desilusão, talvez queiram “um tempo para pensar”, mas no final foram parar ao mesmo sítio, sozinhos, desolados, sem aquele belo ditado "Um por todos e todos por um".

Aqui estão, apenas eles, a exporem as suas almas nuas ao mundo e a tentarem entender o sentido das suas vidas, talvez uma tentativa em vão.

"A minha alma estará viva pelo teu amor." Que estes sejam os seus mais humanos pensamentos!



E. A. | 9.º A


















Sob o olhar atento e afastado das montanhas desanimadas 

que no horizonte pairam,

numa pequena ilha reside o estado desta triste humanidade.

Dois seres, de ombros voltados, prostrados realizam

não haver por que defender a diversidade.

 

Mas eis que, no meio da ilha, vemos uma árvore.

Ah! Que de verde latejante aflore…

Porque, nela, reside o amanhã da humanidade desunida,

que anseia aproximar-se e dar valor à vida.

 

Separados, os dois estavam,

mas juntos persistem.

E as montanhas, que ao fundo assistem,

            ao verde da árvore se juntaram.



L. C. | Docente de História

















Uma pálida lua espelhada no rio fazia brilhar o pelo do lobo. Homens famintos de exibirem os seus feitos ansiavam por aquele belo pelo e o de toda a sua família nevada. 

Naquela noite fria, dissimulados na sombra, investiram sobre ele que, sem defesa, ainda resistiu e se afastou o mais possível para salvar os filhotes. Talvez ele fosse só ele, mas ele também era a sua família toda. 

Esta talvez seja apenas uma história infantil, mas este lobo podia ser qualquer um de nós de qualquer maneira.


A. C. | 9.º A















Sempre que vou lá ao fundo, no monte, sinto que as pombas me dão um sinal. Um sinal para ir em frente, não desistir! Para não pensar nos meus passados mais dolorosos e enfrentar o que me espera, no futuro. Para, quando o medo me envolver, eu me desafiar a mim mesma…

Elas inspiram-me, transmitem-me a liberdade do seu voo, a harmonia das suas penas alvas e reluzentes.

Que a luz do sol, quente e protetora, me ilumine e me empurre para o anónimo destino que me espera.


F. L. | 5.º A





















As nuvens têm muitas formas. Vezes há em que lhes damos um feitio diferente, o feitio daquilo que sentimos quando queremos preservar uma memória, ultrapassar um desafio impossível.

Por vezes, essas nuvens dissipam-se, sem deixar rasto. Diríamos mesmo que o pintor nunca as pôs lá, deixando apenas um quadro azul. Todavia, se apurarmos o olhar, nele podemos ver pintinhas níveas, que saberão tornar-se nuvens deslumbrantes, de tamanho surreal, prontas a envolverem o (nosso) mundo inteiro. 

E nada nos impede de olhar bem para o alto e vê-las voar.


G. F. | 9.º A





















Libertei-me do vírus 


Durante o período em que estivemos isolados, houve um episódio que me assustou.

O meu pai foi internado sem estarmos à espera, devido ao maldito vírus. Foram muitos dias assustadores, pois eu não podia estar ao seu lado.

Ele esteve a levar O2 nos pulmões devido à pneumonia e o estado dele não era muito favorável...

Felizmente, tudo terminou bem. O meu pai voltou para perto de nós, e eu aprendi a dar mais valor à vida e à nossa família toda junta e feliz!


M. A. | 5.º D























Naquele ano, a senhora que nenhuma pessoa antes vira, sentindo a idade a pesar e lembrando as memórias que mantinha dos seus passeios de jovem, resolvera voltar a subir os montes que pela primeira vez subira ao lado do pai, que já há muito perdera. 

A senhora, levada por uma qualquer bravura, subiu os montes, movida pela ansiedade de voltar a viver os momentos felizes da jovem que fora. 

As estrelas já se faziam luz, as aves passavam à sua frente, sombrias, restando apenas ela e a Lua.


M. R. | 9.º A





















A natureza da vida


Naquele esplêndido dia primaveril, questionei-me: “De que é feita a nossa amizade?”

Éramos tão próximos, felizes, apaixonados. Toda a luz, que existia na nossa bela união, tornava-se mais robusta. 

Quiseste, todavia, partir sem deixar rasto e há raro tempo pairava sobre mim uma nuvem tristonha. Milhares de questões ambulavam nessa balbúrdia, a todo o instante, árdua e deveras venenosa para mim. Por fim, fez-me entender que não valeria a pena persistir para interpretar os atos do passado, mas sim para reflorir e viver.


I. P. | 8.º B





















O Lobo Solitário


Um lobo vivia feliz junto dos seus pais.
Quando o mundo foi surpreendido por uma pandemia, tinha que se respeitar as medidas que o Estado impôs. Mas o lobo não as respeitava…
Um dia, os pais foram fazer o teste, porque tinham sintomas, e o resultado foi positivo. Os sintomas aumentaram e foram internados.
O lobo não os podia visitar e, passados uns dias, eles morreram.
Ele passou o resto da sua vida sozinho, triste e a pensar no mal que fizera aos seus pais.


J. G. | 5.º A





















Desde que esta pandemia se alastrou que nos dividiu a todos para o seu lado da árvore da vida.
Presumo e vou presumir que, quando isto terminar, vamos estar juntos de novo. 
Nada pode impedir de tentarmos e mesmo assim falharmos e tentarmos de novo para obtermos o que queremos, pelo que devemos fazer sempre sem parar e sem desistir.
Se houver qualquer problema que estorve, não faz mal, pois estamos todos juntos, mesmo que estejamos todos afastados. 

Por isso, vamos lá, equipa, vamos terminar isto todos juntos!


V. B. | 5.º A



















IRMÃOS


 - Por que razão queres ir para lá?! Jamais sairás desse inferno vivo!

- Não tenho outra hipótese. Prometi-lhe que jamais o deixaria para trás. Foi neste mesmo monte que ele me disse que sempre fui um fiel aliado durante a vida dele e que jamais me abandonaria. Eu disse o mesmo e prometi o mesmo. Ele sempre me ajudou. E neste momento é a minha vez de o ajudar.

- Mas não te arrisques demasiado, promete-me!

- Não te inquietes. Voltarei, e ele também, mesmo que o destino não queira. 


S. G. | 9.º A

















Havia uma menina que adorava ir a um monte onde se sentia muito feliz. Essa menina sempre tivera o desejo de voar à volta do monte e ver tudo mais de perto.
Num dia em que lá estava, voavam dois pássaros e um deles questionou-a:
- Queres vir dar uma volta?
A menina, muito admirada e bastante animada, respondeu:
- Sim, adorava, é o meu maior sonho!
A menina subiu para o pássaro, realizando o seu desejo. Terminaram aquele passeio de sonho pousando numa linda árvore, no topo do monte.


B. Q. | 5.º D

















O susto


Um belo lobo estava a olhar para a lua pois assumia que no próximo dia ia transformar-se num ser assustador, um ser humano. Ele odiava ser um homem pois assim poderia ser mais um infetado.
Quando foi à aldeia, reparou que não existia nenhuma pessoa. Ele estava sozinho, abandonado. Pensou que assim estaria melhor.
Saltou e fez o que quis. Mas, passadas vinte e seis horas, sentiu uma enorme solidão… Então disse:
- Mas que fiz eu para viver assim?
De repente, saltaram de todos os lados.


C. F. | 5.º A


















O Vírus Mortal


Há muitos anos existiu uma pandemia devido a um vírus mortal.
Uma senhora de noventa anos apanhou esse vírus e foi parar ao hospital. Todos pensavam que ela ia morrer.
Durante um mês ela não respondeu, mas depois despertou e todas as pessoas tiveram fé.
Foram dois meses dolorosos porque a idosa teve de fazer fisioterapia e isso era-lhe muito penoso. Ela demorou bastante tempo a melhorar e teve de passar várias etapas. Uma etapa foi desenvolver o paladar.
Esta história demonstra o poder humano. 


L. A. | 5.º D




















Os Sobreviventes


Bernardo despertou sentindo-se molhado.
“Foi um pesadelo!” - pensou. Viu que não… Estava sozinho numa ilha, sua traineira tinha afundado. Andava a trabalhar para alimentar a família e levantou-se a tempestade. À deriva, numa tábua, repousou. 
“Tenho que sair daqui!” Levantou-se, entrou selva adentro, disposto a arranjar maneira de voltar para o seu lar. Avistou uma palhota. Muito apavorado foi em frente. Viu um velhote desanimado, mas que lhe abriu um sorriso.
Houve empatia, falaram muito, manifestou-se uma amizade. 
“- Ânimo!!! Bravura!!!” – berraram, fervorosos.
Montaram um barquito... lá foram eles...


A. D. | 5.º A





















Tristes e estranhos tempos os atuais em que temos de nos afastar de quem queríamos ter por perto, em que temos de nos afastar de quem mais admiramos na nossa vida, assemelhando- -se quase a uma despedida de quem vai e não volta.

Aparentemente há uma barreira, bem estruturada, que não nos deixa voltar atrás no tempo, nem falar, nem sorrir, nem dizer que sentimos saudades ou que estamos tristes. Aparentando estar tão perto, está tão distante, essa barreira, esse monstro de que nenhuma pessoa sabe ainda o nome. 

A. A. | 9.º A

















Os sobreviventes


Numa aldeia, um vírus fatal matou muitas pessoas. 

Foi alertado o “bunker” militar que, de imediato, enviou um avião para encontrar sobreviventes. Quando entraram na aldeia, viram uma pessoa empoleirada numa árvore muito alta. Imediatamente atiraram um fio forte e prenderam-no nessa pessoa. De repente, um militar saltou para salvar aquela pessoa que se tinha desequilibrado e estava em apuros. O militar apertou-lhe a mão e puxou-a para dentro do avião. No final, todos se sentiam a salvo.

Esta foi a história de uma grande aventura!


J. V. | 5.º D
















terça-feira, março 23, 2021

DESAFIO DE ESCRITA CRIATIVA _ I

 


Trabalho realizado pela docente Raquel Sebastião



Ao longo dos últimos dias, foram muitos os fantásticos textos que a equipa da Biblioteca já recebeu, no âmbito do nosso Desafio de Escrita Criativa


E o primeiro foi enviado por um corajoso aluno do 5.º ano!


Mas para aqueles que, mergulhados em dúvidas e desconfiança, ainda torcem o nariz, dizendo que não é possível contar uma "HISTÓRIA de CORAGEM em 88 PALAVRAS" sem utilizar a letra “C” nem a letra “G”, aqui ficam estas propostas!




Um primeiro exemplo:






 As pernas voavam, tal era o pavor de se deixar apanhar por esse horrível intruso que velozmente se aproximava. Não podia parar… Só mais uns metros e seria seu o destino prometido.


Quase sem respirar, entrou apressadamente no quarto, olhou as prateleiras da estante e... tirou um livro de aventuras. Aquele seria o seu mundo nas próximas horas.


Lá fora, o sol bem podia brilhar, lembrando o suave prazer do ar morno num fim de tarde. NÃO, não sairia para se juntar aos outros, nem que lhe telefonassem!


(A equipa da BE)







Outro exemplo, bem diferente:






 O meu nome é “Wolf” e ando há vários dias a deambular, sozinho, por montes, montanhas e vales, sem um norte que me oriente.


Nos piores momentos, lembro a voz do meu dono quando dizia:

“- Rijo, tal qual um lobo, o diabo do animal!”.


E não desisto. Hei de beber ainda hoje! Só tenho de ir em frente, sem medo, porque, lá bem ao fundo da linha do horizonte, haverá um rio, o sol será menos abrasador e avistarei a lua que tantas noites me ouviu uivar. 


(A equipa da BE)