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Não, não é uma "selfie"...

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Vincent van Gogh, Autorretrato , 1889 No final de um ano letivo tão estranho e exigente, corajosos alunos, inspirados pelo célebre texto poético   "Magro, de olhos azuis, carão moreno"   , famoso autorretrato de Bocage , aceitaram o desafio que lhes foi lançado de arriscarem, eles próprios, criar o seu autorretrato.  Sabiam bem que o exercício de mergulhar no espelho em que nos vemos e descobrir o que sentimos sobre nós próprios seria muito mais exigente e trabalhoso do que fazer uma "selfie"...  Destemidos, mergulharam e os resultados falam por si... Jovem, magra, de alta estatura, muito desconfiada e impaciente, o que não lhe falta é altura nem a alegria que sempre sente. De nariz médio e pele escura, possui uns bons lábios carnudos, dona de uma (mais ou menos) elegante figura, olhos pequenos, amendoados e pestanudos. Amedrontada, mas muito esperançosa, é portadora de grande vaidade, diferente, mas bastante feliz, no fulgor da sua tenra idade.       ...

Concerto Improvisado para uma Natureza Morta

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Para homenagear as vítimas dos incêndios em Portugal , o « Requiem à Floresta Portuguesa» , gravado em 2018, tem agora um vídeo, gravado no coração da tragédia. O projeto da compositora checa  Martina Vídenová  contou com a colaboração de elementos da  Orquestra Sinfónica  e do  Coro da Casa da Música . A cena passa-se no Pinhal de Leiria, um ano depois dos grandes incêndios de Pedrógão Grande. No filme, a preto e branco, os troncos queimados ainda intactos servem de cenário a um concerto improvisado para uma natureza morta. “ O Requiem é uma missa para os mortos, normalmente tocada num contexto de um funeral. Com esta forma, queria dizer que as florestas nativas portuguesas estão a morrer e não podemos ignorar isso. Depois da grande perda de vidas humanas em 2017, quis também dedicar a música às vítimas, para honrar a sua memória ”, explica  Martina Vídenová . Fonte: JN

«Camões e a Arte do Desconfinamento»

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Camões na prisão de Goa [pintura anónima de 1556] O Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 2020 , o Cardeal D. José Tolentino de Mendonça, proferiu hoje, dia 10 de junho , um discurso a todos os níveis memorável. Com a devida vénia, transcrevemos aqui um belíssimo excerto desse discurso brilhante e inspirador: Camões e a arte do desconfinamento "Pensemos no contributo de Camões. Camões não nos deu só o poema. Se quisermos ser precisos, Camões deixou-nos em herança a poesia. Se, à distância destes quase quinhentos anos, continuamos a evocar coletivamente o seu nome, não é apenas porque nos ofereceu, em concreto, o mais extraordinário mapa mental do Portugal do seu tempo, mas também porque iniciou um inteiro povo nessa inultrapassável ciência de navegação interior que é a poesia. A poesia é um guia náutico perpétuo; é um tratado de marinhagem para a experiência oceânica que fazemos da vida; é uma cosmograf...

Olhos nos Olhos, em Tempo de Máscaras - II

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Modigliani, Alice , 1918 [pormenor] Quantas vezes já ouviste afirmar que os olhos são “a janela da alma” ou “o espelho da alma”, querendo com isto dizer que o nosso olhar comunica de forma muito poderosa, revelando as nossas emoções, o nosso estado de espírito, os nosso segredos, ou seja, o que verdadeiramente mora no interior de cada um de nós? Ora, respondendo à nossa proposta de criação de uma história que narrasse a importância do primeiro encontro com os olhos de alguém [ver post anterior ], surgiram textos espantosos e bem diferentes: "Lá estávamos nós, mais duas almas perdidas, com os olhos escurecidos pelos nossos mundos de solidão… Encontrámo-nos por acaso e, como as duas pedras pioneiras do fogo, fizemos faísca. Logo surgiu uma chama dentro de nós, que dava cor e luz aos nossos olhos e mundos feitos de negrume. Porém, enquanto a minha chama ia crescendo, a tua ia desvanecendo e os teus olhos ficando mais e mais escuros. Foi naquela noite, quando a tua escuridão clareo...

Olhos nos Olhos, em Tempo de Máscaras

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Modigliani, Alice , 1918 [pormenor] Quantas vezes já ouviste afirmar que os olhos são “a janela da alma” ou “o espelho da alma”, querendo com isto dizer que o nosso olhar comunica de forma muito poderosa, revelando as nossas emoções, o nosso estado de espírito, os nosso segredos, ou seja, o que verdadeiramente mora no interior de cada um de nós? Imagina, agora, que te pediam que criasses uma história, com 80 a 100 palavras, na qual narrasses o primeiro encontro com alguém de cujos olhos gostes muito... A Eduarda , destemida,   contou-nos uma história deliciosa: Ele andava sempre a observar-me, eu sentia... Ignorei.  Semanas, meses passavam, e todos os dias sentia aqueles olhos presos em mim,  não sendo eu a única a reparar. Lembro-me de me dizerem para fazer alguma coisa, que aquilo já se tornara assustador. Mas, com o passar do tempo, fui-me habituando e, sinceramente, até gostava daquela pequena atenção. Um dia, no entanto, decidi que bastava e olhei-o nos ...

«E tudo era possível...»

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Assinalando, da forma possível, hoje, 1 de junho , o Dia Mundial da Criança , relembramos aqui a visita dos intrépidos alunos do 2.º ano da EB1 de Fala que, no dia 10 de março, a escassos dias do encerramento das escolas, cheios de curiosidade, perguntas e entusiasmo, nos visitaram, a fim de explorarem o espaço da Biblioteca, conhecerem os direitos e os deveres dos seus utilizadores, descobrindo todas as suas funcionalidades. No final da sessão, em que até houve tempo para todos assistirmos a um pequeno filme de animação sobre o poder dos livros e a enorme importância da leitura, cada aluno escolheu e requisitou um livro para levar consigo.  Este foi, sem dúvida, o momento alto da aventura… Como dizia, inspiradamente, o colega Daniel Peixoto, antigo professor do Agrupamento e grande colaborador da Biblioteca, este foi  “dia de sementeira” ...

«Bem sei que há ilhas lá ao sul de tudo»

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in Jornal CRESCER Comemora-se hoje, dia 22 de maio , o  Dia do Autor Português . Foi com o propósito de homenagear o autor português e destacar a sua importância no desenvolvimento da cultura e do bem-estar de todos que se criou esta data em 1982. Este dia assinala igualmente o aniversário da Sociedade Portuguesa de Autores. Simbolicamente, deixamos aqui uma gota de água do oceano imenso da obra de um dos nossos maiores autores. Bem sei que há ilhas lá ao sul de tudo  Onde há paisagens que não pode haver.  Tão belas que são como que o veludo  Do tecido que o mundo pode ser. Bem sei. Vegetações olhando o mar,  Coral, encostas, tudo o que é a vida  Tornado amor e luz, o que o sonhar  Dá à imaginação anoitecida. Bem sei. Vejo isso tudo.  O mesmo vento  Que ali agita os ramos em torpor  Passa de leve por meu pensamento  E o pensamento julga que é amor. Sei, sim, é belo, é longe, é i...