quinta-feira, dezembro 04, 2014

«A poesia é para comer»


 
Na nossa Biblioteca, o «Dia Mundial da Alimentação» foi comemorado com a apresentação de trabalho científicos, realizados no âmbito das disciplinas de Ciências e de Físico-Química, e com a declamação de poesia, cuja leitura foi preparada nas aulas da disciplina de Português.
Todos pudemos saborear poemas como «Ponho palavras em cima da mesa», de Nuno Júdice, «Dobrada à moda do Porto», de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos), «O quotidiano não», de Alexandre O’Neill, «Armário de especiarias e ervas aromáticas», «Meditação» e «As maçãs», de Jorge Sousa Braga, «Frutos», de Eugénio de Andrade, «A verdade histórica», de Ana Luísa Amaral, «Memórias das infâncias», de Adília Lopes, «Bombardeamento publicitário», de Victor Matos e Sá, «Trem de ferro», de Manuel Bandeira, entre outros…

Aqui ficam dois testemunhos de natureza bem diferente:


Coimbra, 16 de outubro de 2014
Pois fiquem sabendo que hoje se comemora o «Dia Mundial da Alimentação». Desde sempre me fez confusão usar a palavra «mundial» neste contexto. Quantas centenas, milhares, milhões de pessoas não pensaram nesta causa, hoje?
É claro que, infelizmente, nem toda a gente tem um simples pão. Sim, simples! Nós, felizmente, temos o que comer. Não é esse o problema. O problema está nas pessoas que, não tendo culpa, não têm o que comer. Nestes últimos dias, tenho andado a pensar, a pensar nisto muito a sério. E sabem que mais? Somos uns felizardos por, de três em três horas, termos as nossas bolachas, a carne ao almoço e o peixe ao jantar.
A atividade na Biblioteca correu muito bem. Estive com todos os meus colegas e com a turma do 8.º B a apreciar textos de Natália Correia, Jorge Sousa Braga, Eugénio de Andrade, Ana Luísa Amaral, Nuno Júdice, Fernando Pessoa e de muitos outros grandes poetas.
Senti, porém, uma grande confusão dentro de mim. Por ter o meu lanchinho, mas ser inútil por não poder fazer nada contra a fome mundial. Faz-me muita confusão este termo «mundial». É claro que podemos sempre contribuir para as associações. Mas, aqui, o problema está no facto de estas não chegarem a todo o lado.
Tem de ser feito mais!
Tem de haver uma sociedade capaz de perceber o próximo!
Tem de haver uma sociedade que não pense neste tema apenas hoje, por ser o «Dia Mundial da Alimentação»!
Fiquem a pensar nisto…

Nuno Santos_ n.º 16_8.º C


«A poesia é para comer»

Hoje foi um dia de nutrição de palavras que apenas esperavam sair dos nossos pulmões, fixado o olhar no ritmo das palavras… Seria um compasso binário? Talvez ternário…
Não sei, mas uma coisa eu sei. Eu sei que sei. Declamei o poema «O Quotidiano Não», de Alexandre O’Neill. Lembro-me da confusão de sentimentos. Respirei fundo e concentrei-me. Eu queria ler, disso estava certa! Eu queria transmitir o que sentia, fazer cada ouvinte abrir um solo naquele momento musical.

Ouvi as outras pessoas embalarem as suas palavras, as suas sílabas, oferecendo um ar mais puro, pedaços de alma, numa sincronização perfeita de cada verso, até ao ponto final.
Como me senti? Bem, isso é uma pergunta difícil, é como escrever um diário…

O que sinto não sei explicar, perguntem às palavras e ao contexto… Mas pode dizer-se que me senti bem! Um sentimento bom, normal, mas mais quente.
Não consigo acabar o meu diário com um ponto final. Isso faz-me sentir mal. Até pode ser um erro gramatical, mas não quero fechar cada segundo deste dia maravilhoso, por isso fica no vácuo, para sempre, este sentimento, neste papel.

Lucinda Cardoso_n.º 12_8.º C

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Começo por dizer que gostei muito de ouvir este texto escrito com tanta qualidade por uma aluna da minha idade, pela minha professora de português, Ana Isabel Pereira, e fiquei encantada, tal como a professora Ana Paula, professora de teatro da escola Dom Duarte.
    Como proposta de um trabalho de casa, a minha professora de português pediu à minha turma para tentarmos desvendar qual o recurso que mais nos fascinou e se aproxima da professora Ana Paula, e portanto, conhecendo o pouco que conheço da professora, penso que a parte que mais se aproxima dela é a seguinte: "Lembro-me da confusão de sentimentos. Respirei fundo e concentrei-me. Eu queria ler, disso estava certa! Eu queria transmitir o que sentia, fazer cada ouvinte abrir um solo naquele momento musical.".
    Escolhi este recurso porque penso ser o que melhor representa o seu momento naquela apresentação maravilhosa feita no dia Nacional da Cultura Cientifica, e que sente sempre que lê para um público, para alguém especial, para os seus alunos, enfim seja para quem for.
    No fim deste comentário queria agradecer a estas pessoas que fazem da leitura, da poesia, do teatro, e de outras tantas coisas, momentos maravilhosos como foi este dia e como irão ser muitos mais, porque afinal a poesia, as letras, o teatro e a leitura, são para comer.
    Inês Saraiva, 8ºB

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