E DAS IMAGENS NASCERAM (MAIS) TEXTOS...

Jillian Tamaki


Curiosamente, esta foi a imagem que, até ao momento, recebeu a preferência de um maior número de alunos. E que fantásticos e tão diferentes textos dela nasceram...



Vejamos o inquietante texto da Eduarda A.:


«Estava sempre ali, parada, a ler um livro. Achavam-na estranha. Ouvia as pessoas a sussurrar quando passavam, mas já era habitual.
Num dia chuvoso, em que a mulher estava a ler o seu livro, apareceu um homem e perguntou-lhe porque não ia para casa, como as mulheres deviam fazer. Ela mostrou-lhe o livro, tinha várias histórias escritas por mulheres que contavam como tentaram parar a desigualdade de género. 
Sem uma palavra, o homem seguiu o seu caminho.»



E o conciso e precioso texto escrito pelo Leandro M.:


«Era um dia escuro e tempestuoso. Peguei no guarda-chuva, no casaco e saí para comprar um livro novo.
As ruas estavam desoladas, vendo-se apenas alguns carros. O vento era gelado e forte, arrastando consigo os pingos de chuva que doíam como balas.
Cheguei à livraria de rastos. Pedi à mulher do balcão o livro, paguei-o e fui-me embora.
Comecei a lê-lo e, magicamente, a tempestade foi acalmando.

Depois desse dia, os livros sempre acalmaram as minhas tempestades.»



E o maravilhoso texto do João M.:

«Faz hoje um ano que partiste e me abandonaste. 
Contigo tornei-me uma mulher independente e imponente. Havia algo de especial em ti, uma certa doçura, uma certa sabedoria inexplicável que sempre me fascinou. Acabo agora de vir do cemitério e deixei-te aqueles belos lírios que plantámos juntos. Está a chover como nunca tinha visto e pensei em ir para casa. Mas fiquei, fiquei aqui, em pé, a ler um dos livros de Pessoa, o teu favorito.»



E ainda o belo texto da Eva A.:


Nesta imensidão de livros,
a nossa cabeça mergulha nas palavras
da maior à mais pequena
da quase insignificante 
à sublime e arrebatadora.

Na mais profunda escuridão
há uma luz
que se derrama sobre uma mulher.

No meio do preto e branco
cheia de luz
lá está ela a destacar-se.

As pessoas que por ali passam
sentem um brilho
uma coisa especial.

É como se houvesse cor
é como se existisse uma vida 
que desde sempre se procura.


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