terça-feira, março 23, 2021

DESAFIO DE ESCRITA CRIATIVA _ I

 


Trabalho realizado pela docente Raquel Sebastião



Ao longo dos últimos dias, foram muitos os fantásticos textos que a equipa da Biblioteca já recebeu, no âmbito do nosso Desafio de Escrita Criativa


E o primeiro foi enviado por um corajoso aluno do 5.º ano!


Mas para aqueles que, mergulhados em dúvidas e desconfiança, ainda torcem o nariz, dizendo que não é possível contar uma "HISTÓRIA de CORAGEM em 88 PALAVRAS" sem utilizar a letra “C” nem a letra “G”, aqui ficam estas propostas!




Um primeiro exemplo:






 As pernas voavam, tal era o pavor de se deixar apanhar por esse horrível intruso que velozmente se aproximava. Não podia parar… Só mais uns metros e seria seu o destino prometido.


Quase sem respirar, entrou apressadamente no quarto, olhou as prateleiras da estante e... tirou um livro de aventuras. Aquele seria o seu mundo nas próximas horas.


Lá fora, o sol bem podia brilhar, lembrando o suave prazer do ar morno num fim de tarde. NÃO, não sairia para se juntar aos outros, nem que lhe telefonassem!


(A equipa da BE)







Outro exemplo, bem diferente:






 O meu nome é “Wolf” e ando há vários dias a deambular, sozinho, por montes, montanhas e vales, sem um norte que me oriente.


Nos piores momentos, lembro a voz do meu dono quando dizia:

“- Rijo, tal qual um lobo, o diabo do animal!”.


E não desisto. Hei de beber ainda hoje! Só tenho de ir em frente, sem medo, porque, lá bem ao fundo da linha do horizonte, haverá um rio, o sol será menos abrasador e avistarei a lua que tantas noites me ouviu uivar. 


(A equipa da BE)





 







segunda-feira, março 22, 2021

CONCURSO "HÁ POESIA NA ESCOLA" | 2021

 



Já são conhecidos os resultados da 12.ª edição do Concurso de Poesia, promovido pelo grupo de trabalho concelhio da Rede de Bibliotecas de Coimbra!

Na 1.ª FASE (Fase de Escola), o júri tinha selecionado, no Escalão do 2.º Ciclo, os poemas apresentados pelas alunas F. L e J. G, ambas do 5.º A. No Escalão do 3.º Ciclo, foram selecionados os poemas da autoria de F. M. e M. S., ambos do 7.º E.

Numa 2.ª FASE, entre todos os poemas apurados nas diferentes escolas e enviados para a Biblioteca Municipal de Coimbra/Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares, foram selecionados três poemas em cada escalão.


E é com uma enorme satisfação que informamos que a aluna F. L. do 5.º A foi uma das vencedoras, tendo obtido o 2.º lugar no ESCALÃO do 2.º CICLO.



Para que todos o possam conhecer, deixamos aqui o seu belo poema:





Saúde e Bem-Estar 





Ficar com boa saúde, 


quem não o vai adorar? 


E que a sorte nos ajude, 


Com um doce bem-estar. 





Saúde… 


O nosso primeiro bem. 


Mas o segundo é também 


um valor 


que o nosso corpo já domina, 


um amor 


que o nosso coração estima. 


É o nosso bem-estar… 





Saúde e bem-estar: 


Dois bens que se entrelaçam, 


dois tesouros que se abraçam.





F. L. | n.º 7 | 5.º A







Muitos parabéns à F. L. e a todos os participantes!!!









sexta-feira, março 12, 2021

DESAFIO DE ESCRITA CRIATIVA | 2021

 


Trabalho realizado pela docente Raquel Sebastião



Está chegado o momento de, a exemplo de anos letivos anteriores, lançarmos, junto de toda a comunidade educativa, o nosso... 


DESAFIO de ESCRITA CRIATIVA!


Nestes inquietantes tempos que atravessamos, em que o nosso mundo parece ter mudado de lugar, obrigando cada um de nós a reinventar-se a si e à sua relação com os outros, a equipa da biblioteca escolheu, como fonte de inspiração, cinco desafiantes (e maravilhosos!) trabalhos da professora Raquel Sebastião:




IMAGEM 1



IMAGEM 2




IMAGEM 3




IMAGEM 4



IMAGEM 5




O Desafio é o seguinte:


1 - Escolher uma imagem e, a partir dela, fazer nascer uma HISTÓRIA de CORAGEM com 88 palavras (rigorosamente 88 palavras!), sendo que nenhuma delas poderá conter a letra C nem a letra G!


Estão proibidas, pois, palavras como coragem”, "corajoso", “correr”, “socorrer”, "com", “desagradável”, grito”, "fugir"


2 - Corajosamente, enviar o texto, até dia 12 de abril, para:

beicastro@aecoimbraoeste.pt



Mãos à obra!

Mal podemos esperar por essas fantásticas 

HISTÓRIAS de CORAGEM!!!
















segunda-feira, março 08, 2021

O OLHAR LÚCIDO DE QUEM LÊ O MUNDO

 






 «A MULHER e a GUERRA» |||| MOSTRA DE TRABALHOS



equidade entre Homem e Mulher é uma questão de Direitos Humanos. Não pode resumir-se a celebrações de um dia do calendário. Requer empenho de cada um e de todos, para que dados como os divulgados por Laura Sagnier, no estudo “As mulheres em Portugal, hoje” (2019) - desigualdade salarial no exercício das mesmas funções para nível de estudos superior das mulheres na maioria dos casais, em 46% dos casos auferem salário inferior, enorme desequilíbrio no desempenho de tarefas domésticas e de cuidado prestado a filhos e idosos -, se tornem meras memórias de uma sociedade que se quer civilizada e coerente com os instrumentos regulatórios que cria. 


Neste caminho que se quer transformador, a educação detém uma importância fundamental, para que as novas gerações conheçam e questionem o legado das que as antecedem e encurtem a duração de processos como os previstos para remover obstáculos ao necessário equilíbrio de direitos e deveres entre géneros: cinco ou seis gerações!


Foi com este propósito que o Grupo de Estágio de História e a Biblioteca Escolar da EB 2,3 Inês de Castro desafiaram as turmas C, D, E e F do 9.º Ano da Escola a comentar fotos reveladoras da ousadia de algumas mulheres, no início do século XX, em romper com tradições que as impediam de dispor dos seus corpos e bens, assumir a tutela dos seus filhos, frequentar lugares públicos ou participar na vida política das suas comunidades.


Apesar de estas transformações, mais visíveis nos chamados “Loucos Anos 20”, na euforia do primeiro pós Guerra, se limitarem a meios urbanos da média e alta burguesia, os cortes dados nalgumas amarras foram seminais para que outros mais se dessem em tempos posteriores e alguma “loucura” da época começasse progressivamente a ser encarada como a normalidade de(vida) às Mulheres e aos Seres Humanos em geral. Sim, porque sem justiça feita a uma quota-parte da Humanidade não se alcançam plena e de(vida)mente os ideais inscritos em referentes como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, escrita a vermelho-sangue das vítimas da Segunda Guerra Mundial.


Atentemos, pois, e pensemos nas palavras dos nossos alunos, que nos dão a LER O MUNDO com a lucidez do seu olhar.


Manuela Carvalho e Grupo de Estágio de História

Ana Isabel Pereira e Biblioteca Escolar 

8 de março de 2021





http://modahistorica.blogspot.com//as-sufragistas

Luta das Mulheres pelo Direito ao Voto - Sufragismo


«Na faixa das manifestantes podemos ler a frase “Esta é a hora de apoiar o sufrágio feminino”, que reflete bem a luta das mulheres para obter o direito ao voto. 

A luta pela igualdade de género entre homens e mulheres sempre existiu, mas as mulheres foram, de alguma forma, aceitando que os homens que estavam contra o exercício do direito de voto pelas mulheres dissessem que o lugar delas era em casa e que não saberiam votar. 

No início do século XX, a luta pela conquista de direitos para as mulheres intensificou-se, particularmente devido à ação das sufragistas, que exigiam o direito ao voto feminino. 

A Primeira Guerra Mundial foi um passo decisivo neste processo de emancipação das mulheres. Com os homens nas frentes de batalha, as mulheres passaram a exercer profissões tradicionalmente masculinas, a sustentar a família e a exercer a autoridade em casa. Com isso, ganharam independência financeira, mas também um estatuto mais elevado, conquistando o direito ao voto, nalguns países, e o acesso a carreiras profissionais prestigiadas.»


A. C. C._ 9.º E | B. B._ 9.º E | B. S._ 9.º E





Imagem: Archive of Modern Conflict London/Reuters


«Uma das transformações mais marcantes na sociedade ocidental do início do século XX foi a mudança da condição feminina. Durante séculos, a mulher viveu confinada ao lar e dedicada à maternidade. Considerada frágil e incapaz de se responsabilizar por si própria, estava sujeita à autoridade masculina, não tinha direito à propriedade dos seus bens, à tutela dos seus filhos ou acesso à educação. 

Com o início da Primeira Guerra Mundial, os homens foram chamados para defender as suas pátrias nos campos de batalha, recaindo sobre as mulheres a função de ocupar muitos dos postos de trabalho que aqueles deixaram. Com a entrada, apesar de lenta e tardia, das mulheres no mercado de trabalho assalariado, estas passam a ter um novo papel na sociedade e a alcançar alguma autonomia financeira, conseguindo substituir o “sexo forte” em praticamente todas as tarefas. Esta mudança observou-se em maior escala na indústria de munições (como se observa na imagem), que se tornou prioritária em tempo de guerra.»


M. P._9.º F | S. C._9.º F




https://stacker.com/stories/



Mulheres ao Volante


«Até à década de 1920, os carros eram muito caros e apenas a alta burguesia os podia comprar. Além disso, os homens achavam que o lugar da mulher era ao seu lado, pois entendiam que, ao contrário dos homens, as mulheres não tinham capacidades para conduzir. Porém, as mulheres, antes vistas como “fadas do lar”, ou seja, reduzidas a uma vida doméstica enquanto os homens trabalhavam, durante a Primeira Guerra Mundial, assumiram várias funções no mundo do trabalho enquanto os homens estavam nas frentes de batalha. 

E puderam demonstrar que não eram só os homens que tinham competências para trabalhar e frequentar espaços públicos. Terminada a Guerra, mais mulheres começam a lutar pelos seus direitos, pela sua emancipação. Muitas mudanças acontecem. As “flappers” passam a usar vestidos e saias pelo joelho, maquilhagem, frequentam bares, fumam. Resumindo, passam a sair à rua rejeitando preconceitos e mudam a sua maneira de pensar. 

A mulher conquista, assim, espaços e direitos que antes eram só dos homens. Tirando partido do rápido desenvolvimento dos meios de transporte e dos novos hábitos de viajar que as classes médias adquirem, algumas mulheres apropriam-se dos volantes e das suas vidas!»


B. V._9.º D | L. D._9.º D




https://casuloabandonado.wordpress.com


A Liberdade da Condução


«Nos “loucos anos 20”, as pessoas começaram a sentir-se mais livres e a convivência entre os sexos tornou-se mais ousada. Após a Primeira Guerra Mundial, a mulher adquire mais visibilidade. Começa a alcançar alguns direitos no que diz respeito à igualdade de género e acesso a oportunidades. Ao mesmo tempo que reduz o comprimento do cabelo, a altura da saia e o tamanho das abas dos chapéus, a condução corta também algumas amarras às mulheres. Nasce um novo estilo de vida e um novo estatuto.

O automóvel é uma ferramenta importante no processo de emancipação da mulher porque  garante a liberdade nas deslocações, já que, no geral, as mulheres, até então, não podiam circular sem acompanhantes.

Economicamente, o período é marcado pela difusão em larga escala do uso de automóveis, um aumento acelerado do poder de compra e mudanças significativas no estilo de vida das mulheres, particularmente nos EUA, onde nasce o “american way of life” que se vai difundir por todo o mundo.»


J. V._9.º E | M. R._9.º E | R. P._9.º E




 https://www.pinterest.pt/pin/


Suzanne Lenglen, a estrela de ténis dos anos 20


«Suzanne Lenglen, ou “La Divine”, foi uma tenista francesa que se tornou na primeira grande estrela do ténis feminino. Após a I Guerra Mundial, Lenglen começou a ganhar fama: entre 1914 e 1926, conseguiu ganhar 31 campeonatos, resultado do duro treino a que o pai a submeteu. Para ele, não havia motivo para não aplicar às atletas femininas o mesmo tipo de treino dos atletas masculinos. 

Uma das suas inovações foi a utilização de trajes mais livres e confortáveis, como saias mais curtas que possibilitavam o movimento das pernas. A sua fama não se deu apenas por isto, mas também pela forma como levava a vida pública. Lenglen era uma mulher autónoma e independente, que não se acanhava com a fama e exibia nos seus jogos movimentos parecidos com balé. 

Em 1938, morreu de leucemia, aos 39 anos, sendo ainda hoje reconhecida como uma das maiores tenistas de todos os tempos.»


A. B. F._9.º C | A. S. F._9.º C | B. C._9.º C





https://elchistoria.blogs.sapo.pt/

 

Os novos hábitos e a moda dos anos 20


«Esta imagem reflete, na perfeição, os novos hábitos e a moda feminina nos anos 20.

Como sabemos, depois da Primeira Guerra Mundial, houve uma mudança na forma de ser e de estar das pessoas, pois a tristeza e a mágoa, provocados pelo conflito, deram lugar à felicidade e à euforia. Logo aí podemos explicar o andar despreocupado das mulheres na imagem. Olhando com mais atenção, verificamos que elas usam muita joalharia, vestidos mais curtos e cabelo à “garçonne”. Com o nosso estudo e o trabalho desenvolvido nas aulas, descobrimos que as mulheres de condição social mais elevada, da alta burguesia e classe média das cidades, começaram a adotar novas modas, como vemos na imagem, que só elas conseguiam pagar, e a ter tempo livre para frequentarem espaços públicos de dia e de noite. Algumas conduziam automóveis ou motas e praticavam desportos enérgicos. À noite frequentavam clubes noturnos, onde dançavam o “charleston” e o “foxtrot”, ouviam “jazz”, bebiam, fumavam, como só os homens antes faziam. 

Algumas mulheres começaram, portanto, a caminhar no sentido de romperem com tradições que as prendiam a suas casas!


D. G._9.º E | F. C._9.º E | G. S._9.º E



 http://flaviapereira.com/charleston














domingo, fevereiro 28, 2021

HAVEMOS DE IR AO FUTURO...

 

Fotografia de M. Wilson


Havemos de ir ao futuro

Havemos de ir ao futuro

e quando lá chegarmos

hão de estar no sofá os nossos pais

a cuidar dos sonhos que nos deram

Os nossos avós a encher de luzes a árvore de natal

Os nossos filhos, e os filhos deles

espantados e atrevidos como nós

Havemos de ir ao futuro

e quando lá chegarmos

hão de estar todos juntos numa festa à nossa espera

mesmo os amigos que perdemos no caminho

Hão de lá estar todos com balões de várias cores, bolo-rei

e ao fundo da sala um cartaz do tamanho da nossa idade

onde se lê: ainda bem que vieram

Havemos de ir juntos ao futuro

ou se não houver boleia para todos ao mesmo tempo

havemos de nos encontrar lá

Havemos de ir ao futuro e, no futuro,

estará finalmente tudo, como dantes.


Filipa Leal, Vem à quinta-feira, Assírio & Alvim, 2016







segunda-feira, fevereiro 22, 2021

«DIA POÉTICO»


Fotografia de M. Wilson


Que lindo dia

De poesia

Se pôs!

A manhã baça,

O jornal carrancudo,

E, de repente, tudo

Cheio de luz e graça!

 

E que não há milagres!

Há, mas são destes, que não provam nada…

 

É uma pena

Que a nossa alma seja tão pequena.

Ou já esteja ocupada.



Miguel Torga





quarta-feira, fevereiro 17, 2021

UMA PEQUENINA LUZ, Jorge de Sena

 

Uma pequenina luz bruxuleante

não na distância brilhando no extremo da estrada

aqui no meio de nós e a multidão em volta

une toute petite lumière

just a little light

una picolla… em todas as línguas do mundo

uma pequena luz bruxuleante

brilhando incerta mas brilhando

aqui no meio de nós

entre o bafo quente da multidão

a ventania dos cerros e a brisa dos mares

e o sopro azedo dos que a não veem

só a adivinham e raivosamente assopram.

Uma pequena luz

que vacila exata

que bruxuleia firme

que não ilumina apenas brilha.

Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.

Muda como a exatidão como a firmeza

como a justiça.

Brilhando indefetível.

Silenciosa não crepita

não consome não custa dinheiro.

Não é ela que custa dinheiro.

Não aquece também os que de frio se juntam.

Não ilumina também os rostos que se curvam.

Apenas brilha bruxuleia ondeia

indefetível próxima dourada.

Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.

Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.

Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.

Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.

Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:

brilha.

Uma pequenina luz bruxuleante e muda

como a exatidão como a firmeza

como a justiça.

Apenas como elas.

Mas brilha.

Não na distância. Aqui

no meio de nós.

Brilha


Jorge de Sena, Fidelidade (1958)



Ouve AQUI este poema, na maravilhosa voz da atriz Carmen Dolores.