terça-feira, 20 de outubro de 2020

"O que hoje não sabemos, amanhã saberemos" (Garcia de Orta, 1563)


Museu da Farmácia (Lisboa) | Pedro Loureiro

Máscara da Peste Negra

«No século XIV, a Europa conheceu uma das doenças que mais marcou a história da humanidade, afetando milhões de pessoas em todo o continente: a peste negra. 

A peste negra, numa primeira fase, era transmitida através dos ratos e das pulgas infetadas, que propagavam a doença quando entravam em contacto com os seres humanos. Numa segunda fase, passa a ser transmitida por espirros e tosse, o que potenciou a sua capacidade de transmissão, levando esta pandemia a dezenas de milhões de pessoas, ao redor do mundo. 

Embora a primeira pandemia da peste negra na Europa date do século XIV, será apenas no século XVII que um médico francês, Charles de Lorme, vai criar um traje para o médico da peste negra. Esta peça de vestuário caracterizava-se por um manto preto, que cobria todo o corpo de forma a proteger aqueles que o vestissem. A cabeça era coberta com uma máscara negra que tinha a particularidade de ter um bico no qual eram colocadas ervas aromáticas misturadas com palha. Este composto tinha a finalidade de filtrar os odores fétidos da peste negra, evitando a contaminação do médico, segundo a teoria miasmática. [...]»

 Manuel Valente Alves 
Academia Nacional de Medicina de Portugal

in Revista de Ciência Elementar
    V8/03. Setembro 2020. Casa das Ciências









segunda-feira, 20 de julho de 2020

GRETA THUNBERG vence Prémio Gulbenkian para a Humanidade


Fotografia de M. Wilson


«A jovem ativista sueca Greta Thunberg venceu o Prémio Gulbenkian para a Humanidade, no valor de um milhão de euros, que quer distinguir projetos inovadores dedicados às alterações climáticas. É a primeira edição de uma distinção que quer recompensar “novas ideias que contribuam para melhorar o futuro do planeta”. Este ano, na sua primeira edição, o prémio é dedicado às alterações climáticas. Foram recebidas 136 candidaturas. Greta Thunberg deverá viajar até Lisboa para a cerimónia oficial de entrega deste prémio que, ao contrário de outros que lhe foram atribuídos antes, aceitou receber.

Num vídeo gravado, a jovem sueca agradeceu o prémio e anunciou que o milhão de euros será doado, através da fundação com o seu nome, a diferentes organizações e projetos que tentam neste momento dar resposta à crise climática e ecológica. São ações, disse ainda, que “lutam por um mundo sustentável e para proteger o mundo natural”. De acordo com um comunicado da Gulbenkian, a Fundação Thunberg "começará por doar os primeiros 200 mil euros à SOS Amazonia campaign, da Fridays for Future Brazil, que combate a Covid-19 na Amazónia, e à Stop Ecocide Foundation para tornar o ecocídio um crime internacional”.

A jovem sueca ficou conhecida por ter dado início a um movimento global de combate às alterações climáticas. Em 2018, Greta – que tem agora 16 anos – faltou às aulas para acampar em frente do parlamento sueco, segurando uma placa onde se lia “Skolstrejk för klimatet” (“Greve escolar pelo clima”). Atualmente, o movimento Fridays for Future, nascido desta luta solitária, junta milhões de jovens em todo o mundo em greves climáticas. […]»


in PÚBLICO, 20 de julho de 2020





terça-feira, 23 de junho de 2020

Não, não é uma "selfie"...



Vincent van Gogh, Autorretrato, 1889


No final de um ano letivo tão estranho e exigente, corajosos alunos, inspirados pelo célebre texto poético  "Magro, de olhos azuis, carão moreno" , famoso autorretrato de Bocage, aceitaram o desafio que lhes foi lançado de arriscarem, eles próprios, criar o seu autorretrato. 

Sabiam bem que o exercício de mergulhar no espelho em que nos vemos e descobrir o que sentimos sobre nós próprios seria muito mais exigente e trabalhoso do que fazer uma "selfie"... 

Destemidos, mergulharam e os resultados falam por si...




Jovem, magra, de alta estatura,
muito desconfiada e impaciente,
o que não lhe falta é altura
nem a alegria que sempre sente.

De nariz médio e pele escura,
possui uns bons lábios carnudos,
dona de uma (mais ou menos) elegante figura,
olhos pequenos, amendoados e pestanudos.

Amedrontada, mas muito esperançosa,
é portadora de grande vaidade,
diferente, mas bastante feliz,
no fulgor da sua tenra idade.

                                                                                C. R.






Olhos amendoados,
Face comprida,
Com uma testa daquelas
Dava uma boa Mona Lisa.

Seja muito ou pouco,
Rápido ou lento,
Se tem um desafio,
Está preparado e atento.

Tenta ajudar,
Mesmo que não possa,
E às vezes
É capaz de deixar mossa.

Sair de casa
É um dilema.
Desfrutar no seu canto
É o seu lema.

Nem urso nem raposa,
Não quer conflito,
É astuto e audaz,
Discurso, até que é rico.

Gosta de festejar,
De aprender,
Mas só o faz
Se lhe apetecer.

                                             G. F.







Um cabelo cor de castanha
Altura média para a sua idade
Descrever-se-ia como estranha
Longe de qualquer formalidade

Olhar escuro e profundo
Que mil segredos guarda
Caminha no seu próprio mundo
Que aos outros não agrada

Sarcasmo é a sua companhia
Positividade não é uma opção
Mas com ou sem alegria
Sempre arranja uma solução

                                                          B. C







Eis um ser moreno,
um pouco magro,
e meio pequeno.

Tem rosto neutro e constante,
moldado pela dor.
Nele, um olhar incessante
de rancoroso amor.

O seu sorriso, peculiar e latente,
quando surge
não mente.

É um ser cheio de curiosidade,
de conhecimento sempre sedento.
É sagaz e meticuloso,
mas, por vezes, muito presunçoso.

Tal como uma ostra,
o ser não se demonstra,
pois quando se revelou,
o mundo não o aceitou.

Este ser alternativo,
que já sofreu
por ser emotivo,
sou eu.

                                                         L. M.








De olhos castanhos, cabelo escuro de verdade,
Aquela que os outros veem pequena e adorável
Tem no sorriso a sua autenticidade.

Por vezes frágil, precipitada até,
Desafia-se a si mesma e aos outros,
Sempre com a sua teimosia
Fazendo dela uma verdadeira fé.

Pessimista para a sua idade,
Pensar demais é um problema,
Família, amigos, paixões,
O ponto fraco para a vulnerabilidade.

Talvez de autoconfiança necessite,
Talvez persista em demasia,
Cheia de imensa compaixão e empatia,
Será esta uma mais-valia?

                                                                               L. O.







Altura normal,
Olhar distraído,
Olhos de um castanho florestal
E sorriso destemido.

Nariz pequeno,
Mostrando simplicidade,
Pouca vaidade,
Sem mostrar a alguém
Que é mais que ninguém.

Leveza no andar,
Sem a cabeça no lugar,
Sempre sonhador,
Até no dia mais cinzento
Em que infeliz possa estar.

Sozinho ou acompanhado
Não gosta de ser descartado.

Olhando para si, nada a temer,
Até quando o conhecer,
Encantado
Ou do lado errado.

                                                       A. C.







Alto, magro e bonito
Irrequieto, falador e agitado,
Deixo tudo à minha volta aflito
Pois nunca estou sossegado

Incapaz de medir o que digo
Os meus amigos acham-me graça
Sai muito disparate sem sentido
De cada vez que digo uma chalaça

Para ter direito no computador a jogar
Sou um escravo, faço tarefas mil
Estou sempre a limpar e a aspirar

Sou explorado, é trabalho infantil
A minha mãe está sempre a abusar
Não me importo, pois no fundo sou gentil

                                                                                D. C.





quarta-feira, 17 de junho de 2020

Concerto Improvisado para uma Natureza Morta







Para homenagear as vítimas dos incêndios em Portugal, o «Requiem à Floresta Portuguesa», gravado em 2018, tem agora um vídeo, gravado no coração da tragédia. O projeto da compositora checa Martina Vídenová contou com a colaboração de elementos da Orquestra Sinfónica e do Coro da Casa da Música.

A cena passa-se no Pinhal de Leiria, um ano depois dos grandes incêndios de Pedrógão Grande. No filme, a preto e branco, os troncos queimados ainda intactos servem de cenário a um concerto improvisado para uma natureza morta.

O Requiem é uma missa para os mortos, normalmente tocada num contexto de um funeral. Com esta forma, queria dizer que as florestas nativas portuguesas estão a morrer e não podemos ignorar isso. Depois da grande perda de vidas humanas em 2017, quis também dedicar a música às vítimas, para honrar a sua memória”, explica  Martina Vídenová.

Fonte: JN


quarta-feira, 10 de junho de 2020

«Camões e a Arte do Desconfinamento»


Camões na prisão de Goa
[pintura anónima de 1556]

O Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 2020, o Cardeal D. José Tolentino de Mendonça, proferiu hoje, dia 10 de junho, um discurso a todos os níveis memorável.


Com a devida vénia, transcrevemos aqui um belíssimo excerto desse discurso brilhante e inspirador:


Camões e a arte do desconfinamento

"Pensemos no contributo de Camões. Camões não nos deu só o poema. Se quisermos ser precisos, Camões deixou-nos em herança a poesia. Se, à distância destes quase quinhentos anos, continuamos a evocar coletivamente o seu nome, não é apenas porque nos ofereceu, em concreto, o mais extraordinário mapa mental do Portugal do seu tempo, mas também porque iniciou um inteiro povo nessa inultrapassável ciência de navegação interior que é a poesia. A poesia é um guia náutico perpétuo; é um tratado de marinhagem para a experiência oceânica que fazemos da vida; é uma cosmografia da alma. Isso explica, por exemplo, que Os Lusíadas sejam, ao mesmo tempo, um livro que nos leva por mar até à Índia, mas que nos conduz por terra ainda mais longe: conduz-nos a nós próprios; conduz-nos, com uma lucidez veemente, a representações que nos definem como indivíduos e como nação; faz-nos aportar – e esse é o prodígio da grande literatura - àquela consciência última de nós mesmos, ao quinhão daquelas perguntas fundamentais de cujo confronto, um ser humano sobre a terra, não se pode isentar.

Se é verdade, como escreveu Wittgenstein, que «os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo», Camões desconfinou Portugal. A quem tivesse dúvidas sobre o papel central da cultura, das artes ou do pensamento na construção de um país bastaria recordar isso. Camões desconfinou Portugal no século XVI e continua a ser para a nossa época um preclaro mestre da arte do desconfinamento. Porque desconfinar não é simplesmente voltar a ocupar o espaço comunitário, mas é poder, sim, habitá-lo plenamente; poder modelá-lo de forma criativa, com forças e intensidades novas, como um exercício deliberado e comprometido de cidadania. Desconfinar é sentir-se protagonista e participante de um projeto mais amplo e em construção, que a todos diz respeito. É não conformar-se com os limites da linguagem, das ideias, dos modelos e do próprio tempo. Numa estação de tetos baixos, Camões é uma inspiração para ousar sonhos grandes. E isso é tanto mais decisivo numa época que não apenas nos confronta com múltiplas mudanças, mas sobretudo nos coloca no interior turbulento de uma mudança de época."

José Tolentino de Mendonça


domingo, 7 de junho de 2020

Olhos nos Olhos, em Tempo de Máscaras - II


Modigliani, Alice, 1918 [pormenor]

Quantas vezes já ouviste afirmar que os olhos são “a janela da alma” ou “o espelho da alma”, querendo com isto dizer que o nosso olhar comunica de forma muito poderosa, revelando as nossas emoções, o nosso estado de espírito, os nosso segredos, ou seja, o que verdadeiramente mora no interior de cada um de nós?


Ora, respondendo à nossa proposta de criação de uma história que narrasse a importância do primeiro encontro com os olhos de alguém [ver post anterior], surgiram textos espantosos e bem diferentes:



"Lá estávamos nós, mais duas almas perdidas, com os olhos escurecidos pelos nossos mundos de solidão…

Encontrámo-nos por acaso e, como as duas pedras pioneiras do fogo, fizemos faísca. Logo surgiu uma chama dentro de nós, que dava cor e luz aos nossos olhos e mundos feitos de negrume. Porém, enquanto a minha chama ia crescendo, a tua ia desvanecendo e os teus olhos ficando mais e mais escuros.

Foi naquela noite, quando a tua escuridão clareou tudo, que a minha chama sucumbiu à tempestade da tristeza e da mágoa e, separados, seguimos para os nossos novos mundos negros."

L. M.




"Ela, uma simples rapariga, baixa, de cabelo castanho-claro aos caracóis e olhos cor das folhas no outono, olhava para os olhos dele, azuis e verdes, com listras amarelas.

Ela via nos olhos dele o mar, já ele via nos olhos dela uma tarde nos montes do Alentejo. E talvez os dois imaginassem um futuro juntos, mas, na verdade, naquele momento, os dois só viam os pés enterrados na areia da praia e sentiam um vento que, talvez, a pouco e pouco, se tornasse aconchegante."

A. A.



"Naquela tarde de primavera, estava a andar num parque, perto de um rio, quando subitamente me deparei contigo. Estavas a ler um livro e fingiste não me ver, mas, quando me alvejaste com teus olhos cor de mel, o tempo parecia ter congelado, e dei por mim perdido no teu olhar profundo, suave e tentador, que despertou de volta o amor que eu pensara já ter enterrado.

Hoje, ainda sonho contigo e com o teu olhar, o olhar que me inspira todos os dias."

R. C. 



"Já tinham olhado um para o outro. Ele já tinha reparado nos olhos azuis dela e ela já tinha reparado nos olhos cor de avelã dele. Agora, faziam de tudo para evitar olharem um para o outro, mas não conseguiam parar de observar a beleza de um e de outro.

Passara meia hora de troca de olhares e sorrisos corados, até que ela se levantou, disse adeus à senhora do balcão e se dirigiu para a saída. O sino tocou mostrando que a porta se abrira e, de repente, ele pôs-se à frente da porta. Gaguejou, mas faltou-lhe coragem e acabou por dizer: “Senhoras primeiro”..."

J. M.



"Era uma tarde de verão como todas as outras. Sol a brilhar, pássaros a cantar, para à noite vir um luminoso e lindo luar. 

Estava a passear quando passei pelo café e vi uma rapariga sentada. Tinha longos cabelos loiros e um vestido amarelo a condizer. Era um pouco mais baixa do que eu e mais bonita também. O que captou, porém, a minha atenção foram os seus olhos. Eram uns olhos simpáticos e sonhadores, cor de avelã. Lembravam-me folhas do outono, grandes e brilhantes, salpicadas de orvalho. Mas como uma folha de outono voa, também ela voou para longe, sem deixar rasto."

G. F



"Era sábado, as malas estavam prontas e aquele era o dia em que finalmente ia conhecer o meu primo que já tinha 2 anos e eu ainda só tinha visto por telemóvel. Como vivemos em cidades diferentes, tivemos que ir até lá. Demorou um pouco, mas por fim chegámos onde desejávamos. 

Estavam todos à nossa espera, mas quando cheguei só pude ver o seu cabelo loiro escuro e os seus olhos. Estes eram simples, comuns, castanhos, nem muito claros nem muito escuros, mas ao mesmo tempo eram tão diferentes, tão especiais e hipnotizantes que ninguém conseguia desviar o olhar."

E. A.



"Era uma tarde normal quando a vi e o meu coração parou: ela tinha o cabelo loiro e curto, umas bochechas fofas e uns olhos azuis, como um mar infinito e divino onde eu gostaria de velejar. Não parei de olhar para os seus olhos, queria parar para não parecer estranho, mas a minha paixão impediu-me de desviar o olhar. Queria falar com ela para poder contemplá-la por mais tempo, porém, por causa da minha timidez, não avancei e nunca mais a vi."

G. C. 



MUITOS PARABÉNS A TODOS!




quinta-feira, 4 de junho de 2020

Olhos nos Olhos, em Tempo de Máscaras



Modigliani, Alice, 1918 [pormenor]

Quantas vezes já ouviste afirmar que os olhos são “a janela da alma” ou “o espelho da alma”, querendo com isto dizer que o nosso olhar comunica de forma muito poderosa, revelando as nossas emoções, o nosso estado de espírito, os nosso segredos, ou seja, o que verdadeiramente mora no interior de cada um de nós?


Imagina, agora, que te pediam que criasses uma história, com 80 a 100 palavras, na qual narrasses o primeiro encontro com alguém de cujos olhos gostes muito...



A Eduarda, destemida, contou-nos uma história deliciosa:


Ele andava sempre a observar-me, eu sentia... Ignorei. 

Semanas, meses passavam, e todos os dias sentia aqueles olhos presos em mim,  não sendo eu a única a reparar. Lembro-me de me dizerem para fazer alguma coisa, que aquilo já se tornara assustador. Mas, com o passar do tempo, fui-me habituando e, sinceramente, até gostava daquela pequena atenção.

Um dia, no entanto, decidi que bastava e olhei-o nos olhos. Duas safiras brilhantes fitavam-me. Perdi a noção do tempo e desviei o olhar por um segundo. Quando me voltei, ele tinha desaparecido. 

Não me lembro de mais nada desse dia...



A Lara, por sua vez, encantou-nos com esta maravilha:


Estávamos numa noite quente de verão quando, pela primeira vez, me deparei com o teu olhar e tudo parou. Talvez me tenha perdido nele, porém acho que só nele me encontrei. Entreguei-me ao teu intenso azul, nos olhos de cristal tímido, por segundos, supostamente. No entanto, bastou desviar o olhar e, como uma brisa, desapareceste. 

Só sei que me sentia segura, que me sentia eu. Via o melhor de mim refletido na imensidão do teu azul. Passaram anos e, até hoje, nunca me esqueci daqueles olhos azuis.



 E o David, muito corajoso, surpreendeu-nos assim:


A minha bisavó, a Vovina, é uma força da Natureza. Viveu uma vida de sonho entre Coimbra, África e Alentejo. Dona duma loja de decoração, catequista, excelente cozinheira, sempre pronta a receber a família toda. Conduzia, nadava, cuidava da sua horta e ainda tinha tempo para ler!

Teve um linfoma ao qual milagrosamente sobreviveu! Depois foi para um Lar. Quando a visitávamos, confundia os nomes de todos, menos o meu! Tenho saudades dela, mas tenho a certeza de que no nosso primeiro encontro, após a pandemia, os seus olhos pequenos e sinceros vão brilhar ao reconhecer-me, dizendo: “O meu David!”.



O Santiago, com muita originalidade, escreveu:


Isto é estranho... Onde é que eu estou?! Como é que vim aqui parar?! 

É lindo: uma praia de águas cristalinas como diamante e areias finas e brancas. Grandes palmeiras com grandes folhas verdes e da areia começam a sair pequenos caranguejos vermelhos. De repente, torna-se noite, uma noite bem escura, e começo a ouvir uma voz longínqua que diz: “Estás bem?!”.


De um momento para o outro, encontro-me num “shopping” com uma rapariga desconhecida mas muito bonita, que me olha fixamente com os seus lindos olhos sorridentes e me diz que paralisei durante uns segundos quando começámos a conversar...



Agora, partilha connosco uma história criada por ti!


Já sabes que a deves enviar para:         


 beicastro@aecoimbraoeste.pt


Ficamos à espera do teu texto...





segunda-feira, 1 de junho de 2020

«E tudo era possível...»






Assinalando, da forma possível, hoje, 1 de junho, o Dia Mundial da Criança, relembramos aqui a visita dos intrépidos alunos do 2.º ano da EB1 de Fala que, no dia 10 de março, a escassos dias do encerramento das escolas, cheios de curiosidade, perguntas e entusiasmo, nos visitaram, a fim de explorarem o espaço da Biblioteca, conhecerem os direitos e os deveres dos seus utilizadores, descobrindo todas as suas funcionalidades.

No final da sessão, em que até houve tempo para todos assistirmos a um pequeno filme de animação sobre o poder dos livros e a enorme importância da leitura, cada aluno escolheu e requisitou um livro para levar consigo. 

Este foi, sem dúvida, o momento alto da aventura…















Como dizia, inspiradamente, o colega Daniel Peixoto, antigo professor do Agrupamento e grande colaborador da Biblioteca, este foi “dia de sementeira”...






sexta-feira, 22 de maio de 2020

«Bem sei que há ilhas lá ao sul de tudo»



in Jornal CRESCER

Comemora-se hoje, dia 22 de maio, o  Dia do Autor Português.

Foi com o propósito de homenagear o autor português e destacar a sua importância no desenvolvimento da cultura e do bem-estar de todos que se criou esta data em 1982. Este dia assinala igualmente o aniversário da Sociedade Portuguesa de Autores.

Simbolicamente, deixamos aqui uma gota de água do oceano imenso da obra de um dos nossos maiores autores.


Bem sei que há ilhas lá ao sul de tudo 
Onde há paisagens que não pode haver. 
Tão belas que são como que o veludo 
Do tecido que o mundo pode ser.

Bem sei. Vegetações olhando o mar, 
Coral, encostas, tudo o que é a vida 
Tornado amor e luz, o que o sonhar 
Dá à imaginação anoitecida.

Bem sei. Vejo isso tudo. 
O mesmo vento 
Que ali agita os ramos em torpor 
Passa de leve por meu pensamento 
E o pensamento julga que é amor.

Sei, sim, é belo, é longe, é impossível, 
Existe, dorme, tem a cor e o fim, 
E, ainda que não haja, é tão visível 
Que é uma parte natural de mim.

Sei tudo, sei, sei tudo. E sei também 
Que não é lá que há isso que lá está. 
Sei qual é a luz que essa paisagem tem 
E qual a rota que nos leva lá.


Fernando Pessoa, Poesia do Eu, ed. de Richard Zenith,
2.ª ed., Lisboa, Assírio & Alvim, 2008







quinta-feira, 21 de maio de 2020

«Abre um livro. Procura a frase que se parecer mais com uma porta e entra.»





Alguém conseguirá resistir a este delicioso convite?

Muito obrigada, David Machado e Paulo Galindro!




quarta-feira, 20 de maio de 2020

Dia Mundial da Abelha





"As abelhas e outros polinizadores, como borboletas, morcegos e beija-flores, estão cada vez mais ameaçados pelas atividades humanas, alerta novamente a Organização das Nações Unidas, no Dia Mundial da Abelha, assinalado a 20 de maio.

A maioria das cerca de 30 mil espécies de abelhas contribui para a polinização das plantas. Tal como os outros polinizadores, permitem que muitas plantas, incluindo culturas alimentares, se reproduzam. Assim, contribuem diretamente para a segurança alimentar, são essenciais para a conservação da biodiversidade e também servem como sentinelas para riscos ambientais emergentes, sinalizando a saúde dos ecossistemas locais, alerta a Organização das Nações Unidas (ONU).

Para aumentar a consciência sobre a importância dos polinizadores, as ameaças que enfrentam e a sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, a ONU designou 20 de maio como o Dia Mundial da Abelha, data que foi assinalada pela primeira vez em 2018. A data coincide com o aniversário de Anton Jansa, pioneiro em técnicas modernas de apicultura que evidenciaram, no século XVIII, a capacidade de trabalho das abelhas.

Segundo a ONU, os polinizadores não apenas ajudam a garantir a abundância de fruta, nozes e sementes, mas também a sua variedade e qualidade, o que é crucial para a nutrição humana. Além da alimentação, os polinizadores também contribuem diretamente para o desenvolvimento de medicamentos, biocombustíveis, fibras como algodão, linho e materiais de construção.

A polinização é um processo fundamental para os ecossistemas terrestres, para a produção de alimentos e para a subsistência humana. O processo liga diretamente os ecossistemas selvagens aos sistemas de produção agrícola.

A maioria das 25 mil a 30 mil espécies de abelhas são polinizadoras efetivos e juntamente com mariposas, moscas, vespas, besouros e borboletas compõem a maioria das espécies polinizadoras. Há também polinizadores vertebrados, incluindo morcegos, mamíferos não-voadores, como várias espécies de macacos, roedores, lémures, esquilos, beija-flores, algumas espécies de papagaios e outros pássaros.

A compreensão atual da polinização mostra que, embora existam relações específicas entre as plantas e os seus polinizadores, a abundância e a diversidade de polinizadores garante que o processo seja saudável.

Um conjunto diversificado de polinizadores, com diferentes características e respostas às condições ambientais, também é uma das melhores maneiras de minimizar os riscos das mudanças climáticas. A sua diversidade garante que há polinizadores eficazes não apenas para as condições atuais, mas também para as condições futuras. Como resultado da biodiversidade, a resiliência pode, portanto, ser construída em agroecossistemas, explica a ONU."

Fonte: sapo.pt



segunda-feira, 18 de maio de 2020

«Um Dia de Cada Vez»



"Põe música a tocar e abre as janelas. Isso bastará para que o vento compreenda que o estás a convidar para dançar."


Começou por ser uma parceria digital entre David Machado e Paulo Galindro, que partilhavam no Facebook “sugestões, ideias e instruções para quem está fechado em casa”. Com pequenos textos do primeiro e ilustrações do segundo, o projeto Um Dia de Cada Vez nasceu em tempo de pandemia, para encurtar as distâncias com os leitores e, nas palavras do escritor, “combater esta inércia criativa em que toda a gente pareceu ficar atulhada”.

Apesar do contexto, tanto o vírus como a doença ficam fora da narrativa, não só por uma questão de validade das sugestões mas também para dar ânimo aos dias e espaço ao pensamento de cada um. “Tentei sempre que os textos pudessem ser lidos daqui a cinco ou seis anos, num fim de semana de chuva. São coisas poéticas, à volta da imaginação, são ideias que levam a uma introspeção, que nos põe a refletir sobre o que é estar sozinho, fechado. São ideias que nos apontam mais para a liberdade do pensamento e da imaginação do que propriamente para trabalhos manuais ou bricolagem”, explica David Machado, de cuja pena saíram, por exemplo, O Tubarão na Banheira, Não te Afastes e Índice Médio de Felicidade.

Atendendo às sugestões dos milhares de seguidores da página do Facebook, e depois de um crowdfunding, Um Dia de Cada Vez vai agora ter uma edição em formato físico, num livro de autor com lançamento previsto para finais de Junho. Entre as 32 formas de ocupar o tempo, estão dicas como “Aprende a arte de ficar quieto. Estende-te no tempo e deixa as horas passar por ti”, “Aproveita para restaurar memórias” ou “Sempre que te cansares do silêncio, organiza uma festa e convida todos os teus amigos imaginários”.

Cláudia A. Marques, in Público, 15 de maio de 2020





sábado, 9 de maio de 2020

VENHAM ENFIM AS ARDENTES AURORAS...



Todos os anos, no Dia da Europa, comemorado a 9 de maio, festeja-se a paz e a unidade do continente europeu. 
Esta importante data assinala o aniversário da histórica «Declaração Schuman». Num discurso proferido em Paris, em 1950, Robert Schuman, o então Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, expôs a sua visão de uma nova forma de cooperação política na Europa.

Hoje, neste Dia da Europa de contornos tão especiais, ocorrem-nos as palavras sem tempo, feitas de luz, de José Saramago:

Venham enfim as altas alegrias,
As ardentes auroras, as noites calmas,
Venha a paz desejada, as harmonias,
E o resgate do fruto, e a flor das almas
Que venham, meu amor, porque estes dias
São de morte cansada,
De raiva e agonias
E nada.”

José Saramago, Provavelmente Alegria, 1970



terça-feira, 5 de maio de 2020

O PRIMEIRO DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA





Imagem: Pinterest


Celebrou-se hoje, dia 5 de maio, pela primeira vez, o Dia Mundial da Língua Portuguesa. E depois de todas as sonantes e promissoras palavras que por tantos neste dia lhe foram dirigidas, apetece ficar em silêncio e, respeitosamente, ouvir o que Vergílio Ferreira, premiado e notável escritor português, disse, em 1991:

«Uma língua é o lugar donde se vê o mundo, e em que se traçam os limites do nosso pensar e sentir. Da minha língua vê-se o mar. Na minha língua ouve-se o seu rumor, como da dos outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. Por isso a voz do mar foi em nós a da nossa inquietação.»






quarta-feira, 29 de abril de 2020

ESTE É O LOBO


Para TODOS (re)pensarmos a solidão e o medo, (re)descobrindo a força feliz dos laços, que tal ouvirmos, numa voz de mel, a leitura de Este é o Lobo, fabulosa história escrita e ilustrada por Alexandre Rampazo?  








quinta-feira, 23 de abril de 2020

«OBRIGADO, LUIS SEPÚLVEDA, PELO PORTO DE HAMBURGO»





Neste Dia Mundial do Livro que hoje, dia 23 de abril, se celebra, não poderíamos deixar de lembrar as admiráveis palavras de um jovem escritor, Afonso Reis Cabral, trineto de Eça de Queirós, na sua justa homenagem a um grande escritor que nos deixou demasiado cedo, publicada, no passado dia 16 de abril, no jornal Público.




Obrigado, Luis Sepúlveda, pelo porto de Hamburgo



O escritor Afonso Reis Cabral foi “diretor por um dia” por ocasião do 30.º aniversário do PÚBLICO, a 5 de Março. Ao saber da morte de Luis Sepúlveda, na manhã desta quinta-feira, ocorreu-lhe de imediato esta “memória”, que aqui publicamos.



«Em 1999, o porto de Hamburgo ficava em Ferreira do Zêzere. Na cama do quarto de cima, na casa de banho, na sala, a um canto do sofá, enquanto os adultos jogavam Bridge: o porto de Hamburgo lavava o Verão com águas que eu, com nove anos, imaginava escuras de crude, atacadas por um mal desconhecido. E era tal a aflição de acudir àquela gaivota ferida, vinda do alto-mar, que eu dava voltas à casa em busca de algo com que a salvar.

A Teresa, prima do meu pai e melhor amiga da minha mãe, dera-me o livro no dia anterior e eu guardei-o como um achado, antes de ler a dedicatória: “Para um menino muito especial que bem podia ensinar gaivotas a voar”. Como verdadeira criança, acreditei nesse encantamento: seria capaz de criar uma gaivota — e, para a Teresa, seria especial. Ainda não sabia que ser criança é ter fé em tais dedicatórias.


Mas Zorbas — o gato grande, preto e gordo — tratava de resgatar o ovo por mim.

Enquanto este não eclodia, os meus pais levavam-me pelas margens do Zêzere em busca de lagostins, cujos rastos de fuga eram uma caça aos gambozinos. A Joana tinha vinte e poucos anos, nadava no Zêzere sem medo dos lagostins, e saía da água com tal beleza, com tais movimentos de coisa bem escrita, que a julgava capaz de dissipar todo o crude do mundo.

Regressado a casa, ansioso, percebi que à beleza se responde com beleza. Chamei a Joana a um canto da sala, anda daí que te quero ao pé de mim, e esperei que ela me olhasse nos olhos para lhe dizer de surpresa, de mansinho e de coração: “Amo-te.” Acho que ela sorriu, talvez tenha afagado o meu cabelo, falta-me a memória de um abraço; seja como for, ela sorriu e foi ter com a Teresa, que me disse: “Por enquanto, quero a minha filha para mim, pode ser?”.

A partir daí, a Joana evitou-me de surpresa, de mansinho e de coração, a ver se eu acalmava, a ver se encontrava beleza noutra pessoa, noutro sítio. A Teresa apontou-me o livro de Sepúlveda, num gesto que dizia “continua a ler”, e eu passei as noites lendo enquanto ouvia as discussões do Bridge e a voz ensonada da Joana.

Quanto mais acompanhava o zelo de Zorbas, mais o identificava com o zelo da Teresa e a discrição da Joana, e quando os gatos votaram para falarem com os seres humanos, entendi quanto custava quebrar um tabu. Incomodado com as tiradas macacas de Matias, temendo que Ditosa quisesse continuar gato em vez de se tornar gaivota, não me achava merecedor da dedicatória da Teresa, e estava visto que não merecera o amor da Joana.


Na última noite de leitura, as discussões dos adultos estavam em ponto de rebuçado e a voz da Joana sonolenta e distante mais e mais. Na página final, a minha barriga caiu em vertigem acompanhando Ditosa, acabada de empurrar da torre por Zorbas. Mas a gaivota evitou o chão e voou sobre o porto de Hamburgo, por fim sabendo ser ave. Adormeci pouco depois, certo de que às quedas se seguem os voos.

Hoje, no meu porto de Hamburgo, Sepúlveda ainda escreve, eu ainda digo à Joana “Amo-te”, e a Teresa ainda é viva.»


in Público, 16/04/2020













quarta-feira, 15 de abril de 2020

«FICAR PERTO DO QUE ESTÁ LONGE»



Nos últimos dias, muitos foram os textos que nos chegaram. E foi verdadeiramente gratificante ver como cada aluno escolheu e leu a sua imagem da exposição «MULHERES QUE LEEM»...

Não poderíamos deixar de destacar o enorme entusiasmo com que uma aluna, que já há muito nos enviara o texto escrito por si, nos fez chegar o belo texto que incentivou uma familiar sua a escrever:


George Dunlop Leslie, Alice in Wonderland, 1879

Menina que ouve ler…

Menina que escuta a leitura dos pais aprende a sonhar, desenvolve a criatividade, cresce com conhecimento, cria objetivos, luta pelos seus ideais. Sonha, vive, é feliz.

A leitura é uma porta aberta para o Mundo, é cultura, é ficar perto do que está longe.

Menina que escuta a leitura dos pais vai tornar-se uma mulher culta, independente, autónoma, perspicaz, livre… Vai ler para os seus filhos, ensiná-los a construir o caminho da felicidade.

Marta Rosas




E aqui fica a oportunidade de todos lermos os bonitos textos que tantos alunos decidiram escrever:


Claude Monet, 1872
Sou o que sou, sou o que quero ser e não deixarei que nada me faça sofrer. 
Sou uma guerreira sem espada.
Quero sentir o vento, quero ouvir o doce canto dos pássaros para que árvores e flores tenham movimentos dançantes. A natureza tem tesouros onde me inspiro para escrever e mais tarde ler e perceber que tudo à minha volta é belo. 

Menina, só é preciso levantar a cabeça e sorrir… para compreender a arte da vida. 

Juliana V.




Hulton-Deutsch Collection
O seu mundo 

Vou contar-vos uma história que me aconteceu...

Eu era bibliotecária e, num dia escuro e chuvoso, vejo entrar uma menina bonita toda molhada e descalça. Logo a embrulhei num casaco. Ele perguntou-me se podia ler um livro de fantasia, eu dei-lhe vários. Ela devorou-os. 

Quando finalmente terminou a sua viagem, deitou-se no chão e dali não saiu, até ser dia. 

Tentei acordá-la, mas foi em vão. Parecia que tinha ficado no seu mundo maravilhoso.


Teresa M.



João Fazenda

Havia uma menina que adorava ler; era a sua atividade preferida. Ela via na leitura poderes incríveis, criando asas e conseguindo voar para qualquer lugar neste mundo e noutros mais distantes.

Fazia dois meses que não saía de casa, pois uma doença contagiosa tinha atingido o seu país. Mas, no seu quarto, viajava sem qualquer receio e imaginava voltar à normalidade.
Assim, esta menina podia ser feliz, sonhar e tentar viver o melhor possível esta desagradável situação.


Francisco C.




Jillian Tamaki

O dia despontara cinzento, chovia imenso… Na rua, a mulher de casaco rosa continuava concentrada a ler o seu livro!

Desligada de tudo, mergulhara naquela história, e assim caminhava, lendo, com todas as suas forças, cada peripécia, enquanto por cima do seu lindo chapéu vermelho a chuva caía com abundância.

Podem até chamá-la de louca, sim… Porém, não sabem que assim ela escrevia a sua própria história…
Nem uma tremenda tempestade a faria desistir!
Ler para vencer! 

Rodrigo P.




Silja Gotz




Havia uma menina, inocente, jovem, de olhos muito azuis, que ainda não sabia ler. Vivia com a avó, que não era muito idosa e tinha ainda cabelos negros. Todos os dias ia à biblioteca na sua bicicleta e adotava um livro para ler à neta.


O tempo passou e a menina foi para a escola, onde aprendeu a ler. No entanto, embora já soubesse ler muito bem, curiosamente, sempre pedia à avó para lhe ler uma história.


Dinis G.







Hulton-Deutsch Collection

Amores de Sofia

Sofia, uma adolescente amante de livros, resolvera abrir um clube de leitura na sua escola.

Rapidamente pôs mãos à obra. Passou várias horas na sua biblioteca preferida, a ler e a escolher cuidadosamente os exemplares mais adequados para propor no seu clube. Sempre tivera uma predileção por livros históricos, livros que explicam “como” e “porquê”.


O clube atualmente é um sucesso e Sofia sente-se realizada, mas, sempre que possível, mergulha nos livros da biblioteca.


Marta Sofia R.




George Dunlop Leslie

Numa tarde, estava eu cozinhando com minha filha, quando ela me disse que queria ler uma história com personagens que representassem mulheres fortes. 

Parei tudo o que estava fazendo e procurei um livro intrigante. Uma personagem chamada Dulce dizia: “liberdade é o sentimento de saber voar...”. Minha filha então virou-se com uma expressão alegre, queria ser como Dulce! 
A partir daquele momento percebi o quanto os livros podem ser uma fonte de inspiração para outras pessoas. 

Gabriela S.



João Fazenda

Maria era uma menina tristonha, solitária, que ainda mal sabia ler! O seu refúgio era o sótão! 
Aí abundavam os livros, também eles abandonados! 
Subitamente, eles despertaram a sua curiosidade…
Então ela começou a ler com dificuldade, mas também com muita determinação!


Muitos anos passaram! Maria já se tinha tornado uma mulher de sucesso, pois já tinha filhos e um emprego que ela adorava, porque agora conseguia estar todos os dias perto da sua paixão, os livros!
Fernanda S.




George Dunlop Leslie

Palavras adormecidas

Jubilea era uma menina que vivia na Polónia, frequentava a quarta classe e era hiperativa. Tal como as outras crianças, Jubilea  tinha atividades extracurriculares, mas tinha mais dificuldade em realizá-las, por ser hiperativa.

A única forma de Jubilea se acalmar era ouvir uma história contada por sua mãe, pois nas palavras encontrava paz.

Todos os dias, a sua mãe sentava-se no sofá para lhe ler uma história e, no final, ela adormecia nos seus braços. 


Miguel V.




E terminamos exatamente como, há muitos dias, começámos esta aventura: com a apresentação de um delicioso e promissor texto de uma aluna do 5.º ano:

George Dunlop Leslie

Como prenda de Natal, recebi um livro e uma boneca! Fiquei tão feliz!

Nos dias seguintes, mal acordava, começava a tentar ler.

A minha mãe, mulher maravilhosa, observava o meu entusiasmo e então contava-me a história. Todos os dias, um bocadinho! E eu adorava aqueles momentos!

Aconchegadinha ao seu peito, ouvia-a com muita atenção e, quando dava por mim, já estava a sonhar, a viajar nas minhas fantasias e a bonequinha à espera de brincar… Tão bom!

Maria Inês R.



MUITO OBRIGADA E MUITOS PARABÉNS 

A TODOS OS PARTICIPANTES NO NOSSO 

DESAFIO DE ESCRITA CRIATIVA!!!