Biblioteca Viva

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

LIVROS QUE VOAM…

Quando um livro levanta voo da estante de uma qualquer biblioteca e tem a sorte de encontrar chão no palco improvisado de quatro destemidos e talentosos atores, o resultado é uma festa feita de sorrisos, aprendizagens e gargalhadas, que os alunos do 1.º CEB do AECO dificilmente esquecerão.

Nos dias 5, 6, 7 de novembro e 1 de dezembro, a Companhia Profissional de Teatro «AtrapalhArte» visitou a Biblioteca Inês de Castro e consigo trouxe o espetáculo «Robertices», baseado na obra homónima de Luísa Dacosta, que integra as Metas Curriculares de Português do 1.º CEB.

Os alunos do 1.º, 2.º, 3.º e 4.º ano da EB1 de São Martinho do Bispo, do 1.º, 2.º, 3.º e 4.º ano da EB1 de Espírito Santo das Touregas, do 1.º, 2.º, 3.º e 4.º ano da EB1 da Póvoa de S. Martinho, 1.º ano da EB1 de Almas de Freire, 4.º ano da EB1 de Fala, os alunos do 5.º A e 5.º B da EB 2.3 Inês de Castro e alunos do 2.º ano do Curso de Animador Sociocultural da ES D. Duarte (cerca de 400 alunos, no total das sessões) já tiveram esta bela oportunidade.

A festa foi o que se viu…
 
 

 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

«A violência não é a nossa praia»

No dia 24 de novembro, inserido no Projeto do Agrupamento de Escolas Coimbra Oeste "A violência não é a nossa praia", teve lugar, na Biblioteca da nossa Escola, uma atividade performativa realizada pelos alunos do 2.º ano do Curso de Animador Sociocultural sobre a temática da violência doméstica, seguida de debate. Esta atividade, desenvolvida no âmbito do Projeto de Educação para a Saúde (PES), teve como público-alvo os alunos do 9.º ano.
Partindo de situações de violência nas relações de intimidade, desde o namoro até à realidade da violência conjugal, este trabalho de expressão dramática pretendeu alertar os alunos para a problemática da violência, assim como para as situações em que a violência, na relação de intimidade, se prolonga no tempo, aumentando de frequência e de gravidade.

O resultado foi uma atividade original e profundamente enriquecedora para todos aqueles que nela participaram.
 
 

 


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

«António Gedeão e o Dia Nacional da Cultura Científica»


No dia 24 de novembro, os alunos das turmas do 7.º e 8.º ano da nossa escola comemoraram esta data, na Biblioteca Escolar, apresentando pequenas dramatizações, trabalhos científicos, lendo e dramatizando poemas de António Gedeão.
O ponto alto do dia foi, sem sombra de dúvida, aquele em que os talentosos atores (e professores da ES D. Duarte) Ana Paula Santos e João Paulo Janicas nos brindaram com declamações únicas de textos como «Poema para Galileo», «Lição sobre a água», «Dia de Natal», «Poema do fecho éclair», «Certezas, precisam-se», «Impressão digital», «Poema do coração», «Pedra Filosofal», «Poema do gato», «Lágrima de preta», «Poema do eterno retorno», «Tempo de poesia», entre muitos outros…
 


O melhor será dar a palavra a quem lá esteve…
 
 
O Dia Nacional da Cultura Científica,
um dia a não esquecer,
uma atividade magnífica
que em nós vai permanecer.
Talita Santos, 8.º B
 
Adorei a atividade, estava tudo fantástico. Os professores leram maravilhosamente bem, fiquei deslumbrada!
Ângela Cachias, 8.º B
 
Foi mais um momento especial aquele que, no dia 24 de novembro, passámos na Biblioteca da nossa Escola.
Houve oportunidade de ouvir música, ouvir poemas maravilhosamente declamados e até tivemos tempo para preparar surpresas para quem consideramos mais especial para nós. São estes momentos que nos marcam para sempre.
 
Carolina Carvalho, 8.º C
 
Quando se junta teatro, poesia, música e alegria,
o resultado só pode ser pura magia.

Com amigos, professores e recém-conhecidos,
estes momentos nas nossas memórias ficam bem vividos.

A Biblioteca ficou mais vaidosa,
cheia de luz, versos e prosa.
 Inês Saraiva, 8.º B
 
Privilegiada. Foi como me senti naquele momento de grande emoção, em frente de tanta gente. Adorei a atividade e gostava de fazer mais como esta.
Leonor Santos, 8.º C

Tristeza e solidão
Duas palavras em vão
Felicidade e harmonia
É que são poesia.
Francisco Monteiro, 8.º B

Mais uma atividade construtiva e engraçada. Até poderia dizer para continuarmos assim, mas certamente vamos melhorar, pois dia para dia vamos crescendo um pouco, com a ajuda deste tipo de atividades.
João Costa, 8.º C


 Adorei participar na atividade escolar
Foi um dia mesmo espetacular!
Vou fazer uma avaliação
Garantindo que foi uma animação.

Gostei de ouvir e saborear os poemas
Irei pensar e refletir sobre os temas.

Senti-me orgulhosa da nossa participação
Esta atividade tocou o meu coração!

 Tatiana Fernandes, 8.º B
 
Foi um momento magnífico, espetacular!
Saboreámos as poesias declamadas pelos nossos colegas e pela magnífica professora de teatro, que os dizia de uma maneira arrepiante, fazendo com que as pessoas ficassem hipnotizadas, como se não houvesse mais nada, mesmo mais nada, a não ser ela. Gostei muito desta atividade, que não só serviu para saborearmos os poemas mas também para nos fazer aprender e crescer.

Margarida Barreirinhas, 8.º C

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

«A poesia é para comer»


 
Na nossa Biblioteca, o «Dia Mundial da Alimentação» foi comemorado com a apresentação de trabalho científicos, realizados no âmbito das disciplinas de Ciências e de Físico-Química, e com a declamação de poesia, cuja leitura foi preparada nas aulas da disciplina de Português.
Todos pudemos saborear poemas como «Ponho palavras em cima da mesa», de Nuno Júdice, «Dobrada à moda do Porto», de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos), «O quotidiano não», de Alexandre O’Neill, «Armário de especiarias e ervas aromáticas», «Meditação» e «As maçãs», de Jorge Sousa Braga, «Frutos», de Eugénio de Andrade, «A verdade histórica», de Ana Luísa Amaral, «Memórias das infâncias», de Adília Lopes, «Bombardeamento publicitário», de Victor Matos e Sá, «Trem de ferro», de Manuel Bandeira, entre outros…

Aqui ficam dois testemunhos de natureza bem diferente:


Coimbra, 16 de outubro de 2014
Pois fiquem sabendo que hoje se comemora o «Dia Mundial da Alimentação». Desde sempre me fez confusão usar a palavra «mundial» neste contexto. Quantas centenas, milhares, milhões de pessoas não pensaram nesta causa, hoje?
É claro que, infelizmente, nem toda a gente tem um simples pão. Sim, simples! Nós, felizmente, temos o que comer. Não é esse o problema. O problema está nas pessoas que, não tendo culpa, não têm o que comer. Nestes últimos dias, tenho andado a pensar, a pensar nisto muito a sério. E sabem que mais? Somos uns felizardos por, de três em três horas, termos as nossas bolachas, a carne ao almoço e o peixe ao jantar.
A atividade na Biblioteca correu muito bem. Estive com todos os meus colegas e com a turma do 8.º B a apreciar textos de Natália Correia, Jorge Sousa Braga, Eugénio de Andrade, Ana Luísa Amaral, Nuno Júdice, Fernando Pessoa e de muitos outros grandes poetas.
Senti, porém, uma grande confusão dentro de mim. Por ter o meu lanchinho, mas ser inútil por não poder fazer nada contra a fome mundial. Faz-me muita confusão este termo «mundial». É claro que podemos sempre contribuir para as associações. Mas, aqui, o problema está no facto de estas não chegarem a todo o lado.
Tem de ser feito mais!
Tem de haver uma sociedade capaz de perceber o próximo!
Tem de haver uma sociedade que não pense neste tema apenas hoje, por ser o «Dia Mundial da Alimentação»!
Fiquem a pensar nisto…

Nuno Santos_ n.º 16_8.º C


«A poesia é para comer»

Hoje foi um dia de nutrição de palavras que apenas esperavam sair dos nossos pulmões, fixado o olhar no ritmo das palavras… Seria um compasso binário? Talvez ternário…
Não sei, mas uma coisa eu sei. Eu sei que sei. Declamei o poema «O Quotidiano Não», de Alexandre O’Neill. Lembro-me da confusão de sentimentos. Respirei fundo e concentrei-me. Eu queria ler, disso estava certa! Eu queria transmitir o que sentia, fazer cada ouvinte abrir um solo naquele momento musical.

Ouvi as outras pessoas embalarem as suas palavras, as suas sílabas, oferecendo um ar mais puro, pedaços de alma, numa sincronização perfeita de cada verso, até ao ponto final.
Como me senti? Bem, isso é uma pergunta difícil, é como escrever um diário…

O que sinto não sei explicar, perguntem às palavras e ao contexto… Mas pode dizer-se que me senti bem! Um sentimento bom, normal, mas mais quente.
Não consigo acabar o meu diário com um ponto final. Isso faz-me sentir mal. Até pode ser um erro gramatical, mas não quero fechar cada segundo deste dia maravilhoso, por isso fica no vácuo, para sempre, este sentimento, neste papel.

Lucinda Cardoso_n.º 12_8.º C

terça-feira, 24 de junho de 2014

PINTAR COM PALAVRAS…


Foi esta a exigente proposta que 76 alunos aceitaram ao participar no Concurso «Da Imagem ao Texto», concurso com larga tradição na Escola Inês de Castro e que este ano se estendeu, pela primeira vez, a todo o Agrupamento de Escolas Coimbra Oeste.
Na tarde do dia 4 de junho, 30 alunos do escalão A (2.º Ciclo), 29 alunos do escalão B (3.º Ciclo) e 17 alunos do escalão C (Secundário) escreveram os seus textos, inspirando-se nesta imagem:
 
Pela generosidade com que quiseram partilhar o seu olhar, a sua sensibilidade e a sua criatividade, todos os participantes merecem o nosso aplauso.
Deixamos aqui o registo dos textos premiados nos diferentes escalões.
 
 Muitos parabéns a todos!
 
CONCURSO «DA IMAGEM AO TEXTO» 2014
1.º Prémio
2.º Ciclo
 
Era uma vez uma montanha
Tão alta, tão alta
Que furava as nuvens,
Que rompia o céu,
Que vista do chão
Não tinha medida…
  
Era uma vez um, dois, três alpinistas
Que a tentavam superar,
Mas desistiam daquela que era
“A Montanha Impossível de Escalar”!
 
Era uma vez uma casa
Com uma boia no dorso
E era nessa montanha
Que se desenhava o seu rosto.
 
Era uma vez uma gota,
Duas gotas, tantas gotas de chuva,
Que devoravam pessoas,
Que escondiam casas,
Que engoliam montanhas…
 
Era uma vez uma rocha
Que carregava uma casa às costas
E que era tão alta, tão alta,
Que furava a água salgada,
Que rompia o oceano,
Que vista do fundo do mar
Não tinha medida…
 
Catarina Pina, 6.º D
EB 2.3 de Inês de Castro
 
 
 
CONCURSO «DA IMAGEM AO TEXTO» 2014
2.º Prémio
 2.º Ciclo
Vivia numa casa
Ao pé de uma floresta,
Um velho senhor,
Chamado Francisco Sesta.
 
O senhor,
Ninguém conhecia,
Pois daquela casa,
Ele nunca saía.
 
Ele tinha um problema,
De casa não conseguia sair,
Pois, se abrisse a porta e um passo desse,
Para o rio iria cair.
 
Ele não tinha canoa,
Para de lá sair,
Mas também não sabia nadar.
Que grande azar!
 
Num dia de verão,
Ao longe, pessoas avistou,
Tentou chamá-las,
Mas nele ninguém reparou…
 
Por isso, desde então,
Passados vários anos,
De casa tenta sair,
E, como nunca ninguém reparou nele,
Ele decidiu desistir!
 
Por isso, desde então,
Ele vive amargurado,
Porque o seu sonho
Não foi realizado.
 
Vive, então, o velho,
Sozinho na floresta densa,
Sempre muito descansado,
Para não perder a paciência…
 
Mas, passado algum tempo,
O velho senhor, num sono profundo, entrou,
E esta história foi um passarinho
Que, ao meu ouvido, me contou…
 
Miguel Moura, 5.º D
EB 2.3 de Taveiro
 
 
 
CONCURSO «DA IMAGEM AO TEXTO» 2014
3.º Prémio
 2.º Ciclo
 
A velha história de Elásio

Quando eu era pequenina, o meu avô contava-me a velha história de Elásio e começava assim:
- Há muitos anos atrás, no rio Nilo, um marinheiro chamado Elásio e os seus companheiros sofreram um grande naufrágio. Morreram todos, só Elásio ficou vivo, embora ferido e com um braço partido.– dizia o meu avô.
- E mais, e mais?! – perguntava-lhe eu cheia de curiosidade.
- Passados alguns dias do naufrágio, Elásio encontrou uma rocha, que tinha uma caixa em cima. Como ele era curioso, foi lá ver o que é que a caixa tinha.
- E… o que é que a caixa tinha?! – perguntei cada vez mais curiosa.
- A caixa tinha ferramentas, madeira como a dos barcos, vidro e tijolos. Como ele queria um lugar para dormir, pensou em esvaziar a caixa e deitar as coisas ao rio; mas não, ele decidiu construir uma casa. Porém, como tinha um braço partido, demorou uma década sempre a trabalhar. – continuava o meu avô.
- E mais?! Ele ficou bem?! A casa era bonita?! – perguntava eu ao meu avô, querendo uma resposta.
- Tem calma. – respondeu-me – Bem… Voltemos à história: Elásio estava contente por ter uma casa bonita e agradável, ter água para beber, ter um pátio feito de pedras… Só faltava a comida para comer. Então, num dia, decidiu ir à caça. – continuou o meu avô.
- No dia seguinte, Elásio foi à caça, mas, quando ia para atravessar o rio, uma lampreia deu-lhe um choque, e, como estava fraco, morreu. Então, Elásio boiava nas águas profundas do rio Nilo. Durante a noite, como a lama dele estava cheia de magia, o milagre aconteceu: Elásio sobreviveu com a magia da alma. – disse o meu avô.
- Como é que isso é possível?! – perguntava ao meu avô, indignada.
- Tudo é possível se acreditares em ti. Mas o mais importante e impressionante é que Elásio ainda está vivo e sobrevive a tudo. Neste momento, ele tem 1128 anos. – explicava-me, com esperança.
- Então, esta é que é a velha história de Elásio?! E depois, e depois?!

Juliana Lopes, 6.º C
EB 2.3 de Inês de Castro

 
CONCURSO «DA IMAGEM AO TEXTO» 2014
1.º Prémio
 3.º Ciclo
  
Pequena casa, pequeno coração
 
As águas fluem do ventre desconhecido, serena e suavemente. O vento bate nessas pequenas dádivas, criando algo indescritível, sem palavras nem números.
                Altas árvores retiram a luz do sol ao meu corpo, sobrando só a sombra amigável. Os meus caracóis saltam com leveza, sem pressa, sem medo, sem entendimento. O ar, agora, com a magia da química, é vapor saindo dos meus pulmões e desaparecendo no espaço.
                Corro a pensar no nada, no que existiu e no que não existirá mais. Mesmo sendo o nada, é tudo, tão cheio de tudo. Lágrimas salgadas insistem em mostrar-se ao mundo e abrir aquela pequena porta de madeira vermelha. As silvas roçam na minha pele de porcelana, pronta a rasgar-se a qualquer momento. Até dói sentir a minha pele, mas nada se compara àquele pedaço de alma levado de mim.
Uma luz se avista, numa visão desfocada: vejo aquela casa de madeira, de amor, uma casa simples. Os meus pulmões suplicam por ar. Deixo a gravidade atrair-me contra a terra húmida, num abraço meio incerto.
Levantei-me e corri para a água.
Como era fresca! O meu porto de abrigo, meu coração, meu nada. Uma figura, sem ser figura, deslumbrava-se aos meus olhos. As minhas retinas já não aguentavam mais conter tudo aquilo (desculpem a expressão, mas tudo e nada são nada e tudo).
Agora, linhas invisíveis uniam-se num abraço, nesta cena que nunca aconteceu, que não haverá de acontecer.
Pequena casa, pequeno coração…
 
Lucinda Cardoso, 7.º C
 EB 2.3 de Inês de Castro 


CONCURSO «DA IMAGEM AO TEXTO» 2014
2.º Prémio
 3.º Ciclo
 
O segredo da aldeia

Era um sítio calmo e silencioso. O rio iluminava a pequena aldeia onde tudo acontecia. As suas águas eram claras, azuis e brilhantes. Era um sítio ideal para pescar e passar uma tarde tranquila, pois o som das águas era uma espécie de música para os ouvidos.
                A única coisa estranha, porém, que se via naquele rio era uma casa muito pequenina, pousada sobre uma rocha escura que se expandia dia para dia.
As pessoas pensavam que aquela casa surgira do fundo do rio.
De lá não saía ninguém, mas os objetos que se avistavam no seu exterior davam algumas pistas para a descoberta da pessoa que a habitava. Alguns pensavam que era um aventureiro apaixonado por canoagem, outros diziam que era um pescador ou que seria um nadador-salvador.
Pontos de interrogação enchiam as mentes dos moradores da aldeia e todos os dias surgiam novas explicações…
Numa tarde, porém, tudo mudou. Saiu do interior da casa uma menina loura, de lindos olhos azuis, que saltou para a água. Mal mergulhou, apareceu uma barbatana.
Era uma sereia!
O segredo da aldeia fora finalmente descoberto!

Daniela Silva, 7.º B
EB 2.3 de Inês de Castro
 
 
CONCURSO «DA IMAGEM AO TEXTO» 2014
3.º Prémio
 3.º Ciclo
  
Melhores amigos para sempre!
 
                Era uma vez um rapaz que vivia isolado de todo o mundo. Esse rapaz chamava-se Francisco e tinha uma casa num lago, no cimo de uma montanha.
                Ele próprio tinha feito a sua casa. A casa era feita de madeira e tinha uma varanda onde ele passava as tardes a falar com o seu melhor amigo, um simples peixe, que se chamava Bolhas.
                Nos verões quentes, estava sempre a nadar com o seu companheiro, a explorar todos os recantos do lago e, à noite, tocava numa guitarra também feita por ele.
                No inverno, Francisco colocava Bolhas num aquário que tinha encontrado numa das margens do rio, para poderem conversar. Passavam horas a falar da paixoneta de Bolhas. Bolhas estava apaixonado por uma belíssima carpa com escamas que brilhavam quando raios de sol sobre elas incidiam.
                Muitas vezes Francisco passeava pelo lago com a sua canoa, sempre acompanhado pelo seu fiel amigo.
                Um dia, Bolhas ficou preso numas algas do fundo do lago. Francisco começou a ficar preocupado e foi procurá-lo. Quando o encontrou, Bolhas já estava muito fraco, com uma expressão de morte. Francisco levou-o e cuidou dele até ele ficar bom. Bolhas não sabia como lhe agradecer.
                Numa manhã de verão, Francisco foi nadar para o lago e, não sabendo, nadou em direção a um fundão, começando a ficar sem ar. Bolhas conseguiu salvá-lo a tempo. Francisco ficou muito grato.
                Muitos anos depois, Bolhas, já muito velho, faleceu e Francisco ficou triste, mas acreditou que Bolhas estava num sítio melhor.
                Esta é a história de dois amigos que ficaram juntos até à morte, vivendo muitas aventuras pelo meio. A amizade é das melhores coisas que nos pode acontecer, por isso é melhor não desperdiçar essa oportunidade.
 
António Páscoa, 7.º A
EB 2.3 de Inês de Castro
 
 
CONCURSO «DA IMAGEM AO TEXTO» 2014
 
SECUNDÁRIO
 
Terra minha
1º Prémio
 
                               Lar, terra minha, onde nasci,
                               Onde a chuva tem cheiro e o vento canta.
                               O lugar mais bonito que já vi.
 
                               Esta terra, tudo o que eu sempre quisera:
                               Ventos selvagens, infindáveis colinas,
                               Tudo coberto de amarelo de primavera.
 
                               Lugar onde nasci e de que sempre gostarei,
                               Lugar mágico que me pertence,
                               Lugar para onde sempre voltarei.
 
                               Terra que me viu nascer,
                               Que me protege e sempre protegeu,
                               Terra que um dia me verá morrer.
 
                               A minha alma permanecerá aqui,
                               Todos os sorrisos, todas as lágrimas, as minhas memórias,
                               Tudo pertence ao lugar onde nasci.
 
Inês Amado Duarte, 11.º A
E.S. D. Duarte 
 
O desgosto
2º Prémio
 
                           Um pescador, solitário,
                           Pelas margens caminhava,
                           Procurando o local perfeito
                           Para construir a sua casa.
 
                           Uma pequena casa bastou,
                           Naquele belo lugar,
                           Agora só lhe faltava
                           Uma mulher para namorar.
 
                           Todos os dias ia ao mercado
                           Para vender o seu material,
                           E conheceu uma varina
                           Que logo achou especial:
 
                           Era bela e tinha uma voz delicada
                           E os seus olhos verdes brilhavam mais que uma esmeralda.
 
                           Amigos se tornaram
                           E todos os dias se falavam
                           E o que como uma amizade começou
                           Num grande amor se tornou.
 
                           Meses depois, decidido, ele se declarou
                           Mas com a resposta recebida
                           O seu mundo se desmoronou.
 
                           E o jovem pescador
                           Com o seu coração partido,
                           Ficou a saber
                           Que o seu amor já tinha marido.
 
                           O amor foi desaparecendo
                           E a sua vida escurecendo.
                           Nunca mais quis amar
                           Pois não queria, mais uma vez, ver o seu mundo desmoronar.
 
                            Sozinho viveu.
                           Triste morreu.
                           Este solitário pescador
                           Que nunca encontrou o amor.
 
Tiago Menezes, 11.º A
E.S. D. Duarte 
 
A mensagem do avô
3º Prémio
 
                Numa cidade bastante frenética, vivia um rapaz com a sua extensa família. De olhos claros como a água, o seu cabelo negro fazia o contraste perfeito, contribuindo para a sua imagem misteriosa.
                Vivendo no constante mistério da sua personalidade, apesar da sua família numerosa, o rapaz sentia-se extremamente sozinho.
                Um dia, numa manhã de nevoeiro, o rapaz decidiu ir nadar. No entanto, nesse dia, a água tinha um aspeto diferente: a corrente estava calma, a água tépida e translúcida como nunca se encontrara.
                O rapaz mergulhou e começou a nadar…primeiro, de uma forma descontraída, mas, após alguns movimentos, os seus membros ganharam uma força tremenda e ele próprio não conseguia parar. Pensava que seria uma manifestação normal da quebra de stress, na única maravilha natural que ele considerava existir naquela cidade de máscaras. Contudo, acabou por perceber que aqueles movimentos já não dependiam só dele e de que havia algo a empurrá-lo. A questão era: para onde?
                Por fim, parou. Sentiu as suas pernas a tremer, os braços a descair e, quando pensava que a fadiga o ia vencer, viu-se a escorregar numa enorme pedra escura. Assustou-se.
                Nunca ali tinha estado… nunca tinha nadado tanto… nunca se tinha afastado tanto da sua residência, mas, apesar de não saber onde estava e de se sentir um pouco tonto, uma coisa ele sabia: estava muito longe de casa!
                Olhou à sua volta e contemplou a paisagem: a água estava ainda mais translúcida, ainda mais calma, a cor dos seus olhos condizia, na perfeição, com as maravilhas que constituíam aquele local desconhecido e, por sinal, deslumbrante. Não se ouvia nem um pequenino ruído. Estava tão distraído que ainda não tinha reparado que se encontrava precisamente debaixo de uma casa, construída e misteriosamente segura no cume de uma pedra, como se qualquer lugar servisse para ela.
                Contrariando o seu espírito pouco social e aventureiro, imediatamente decidiu entrar.
                Escalou a pedra e abriu a porta da casa que se encontrava apenas fechada no trinque.
                Estava tudo escuro. O rapaz dirigiu-se para as janelas, abriu todas as cortinas e aí, sim, quando já era possível ver tudo, surpreendeu-se: a casa estava toda limpa e arrumada, como se alguém a tivesse acabado de cuidar há menos de dois dias. A pequena porta que dava acesso à varanda encontrava-se entreaberta e a curiosidade do rapaz não tinha limites.
                Dirigiu-se à varanda e sentiu uma brisa diferente no seu rosto. Estava cansado, confuso e sentia agora um ligeiro frio. Olhou para o lado e viu duas cadeiras e uma mesa de madeira branca posta, com duas chávenas e um bule de café. Ao lado, estava um bilhete que dizia:
                «Como eu sempre entendi essa tua vontade de desaparecer daquela cidade onde a luz e a cor artificial se sobrepõem à expressão dos nossos sentimentos (sempre fomos bastante parecidos!), deixo-te esta pequena casa para que cuides dela e cuides de ti! Para fazeres dela o teu refúgio, para construíres aqui a tua vida, se assim o entenderes… pois a grandeza não está na construção, mas sim no amor com que foi feita e para quem foi feita. É que o amor deve ser partilhado para ser vivido em plenitude.
                Estarei sempre aqui até ao dia em que tiveres companhia para beberes este café, e aí ficarei com a certeza de que és feliz!
 
                Com amor,
                                               Avô»
 
Maria Rodrigues, 12.º B
            E.S. D. Duarte
 
 
Menção honrosa
 
Foi num dia de grande nevoeiro que decidiu ir ver o rio, ver a água, que se apresentava com uma corrente muito forte, devido ao vento. Estava um dia bastante assustador.
                Estava triste, não me andava a correr nada bem a vida e, desde há uns tempos que me dava para fazer coisas estranhas, perigosas.
                Foi então que, no meio daquele nevoeiro todo, vi algo de bonito, algo que nunca tinha visto antes: era uma casa feita em madeira, no meio do rio.
                Que coisa maravilhosa!
                O vento cada vez mais forte, a corrente cada vez mais violenta, tudo aquilo me despertou entusiasmo, queria mesmo ver o que estava naquela casinha linda que nunca tinha visto, pois era a primeira vez que ia olhar o rio para aquela margem.
                Foi num instante que cheguei a casa e fiz um pequeno barco em madeira, achando que seria o suficiente para me fazer passar da margem até ao meio do rio.
                Remei, remei, remei… estava a tornar-se difícil, a corrente não ajudava, o nevoeiro não permitia a visibilidade e já nem sabia para onde me dirigia.
                Tudo o que mais queria, naquele momento, era chegar à casa!
                Quando tudo parecia estar a correr minimamente bem, foi quando reparei que havia um furo, pequenino, mas que, contrariamente ao seu tamanho, me assustou imenso. Deixei de me preocupar com o furo durante breves minutos e remei, remei e continuei a remar…
                Foi o tempo suficiente para a água tapar o fundo do barco.
                Oh! Meu Deus! Não queria desistir por nada e assim continuei.
                Maldito furo! Mas um tronco fez-me mais um furo no barco. A água começava a entrar agora de uma maneira mais abundante e muito rapidamente, o que me deixou ainda mais assustada.
                Não tinha outra hipótese a não ser saltar do barco que se estava a afundar.
                Mas nada estava perdido: a minha vida era horrível, não tinha ninguém e não ia desistir.
                Saltei do barco e nadei por poucos minutos, mas era quase impossível nadar contra a corrente.
                Estava muito cansada, com fome, sem forças e sentia-me bastante fraca, mas, de repente, uma tábua de madeira apareceu-me à frente. Agarrei-me a ela e dei aos pés para me deslocar, sem saber em que direção ia, pois o nevoeiro estava cada vez pior.
                Foram longas horas sem comer e sem conseguir chegar àquela maldita casa, o que me estava a deixar exausta.
                Adormeci no meio do rio, porque foi mais forte do que eu. Quando acordei, estava encostada a algo muito duro e que parecia não ter fim.
                Cheguei à conclusão de que era uma pedra, ou melhor, que era a pedra! Era a pedra que servia de base à casa. Que maravilha! Tinha conseguido!
                Comecei a chamar por alguém, pensando eu que estaria alguém, mas nada… Ninguém me veio ajudar, como de costume.
                Subi a pedra, pois esta era mais baixa de um dos lados e entrei na casa.
                Fiquei pasmada! Toda equipada e tudo tão arrumado que parecia que alguém ali tinha estado há pouco tempo.
                Deixei-me estar, comi e deitei-me um pouco.
                Fui acordada por um nadador-salvador bastante bonito, que me perguntou logo se estava magoada. Como é possível? Estava na casa dele e ele não me mandava dali para fora? O facto é que não me expulsou e que me deixou ficar com ele. Ambos éramos novos, não tínhamos nada a perder.
                Contei-lhe tudo: como tinha chegado até ali e como tinha sido a minha vida.
                Com o passar do tempo, fomos ficando mais próximos e… Pronto, minha querida neta, foi assim que eu e o teu avô nos conhecemos.
Raquel Pinto, 11.º B
 E.S. D. Duarte