domingo, 7 de junho de 2020

Olhos nos Olhos, em Tempo de Máscaras - II


Modigliani, Alice, 1918 [pormenor]

Quantas vezes já ouviste afirmar que os olhos são “a janela da alma” ou “o espelho da alma”, querendo com isto dizer que o nosso olhar comunica de forma muito poderosa, revelando as nossas emoções, o nosso estado de espírito, os nosso segredos, ou seja, o que verdadeiramente mora no interior de cada um de nós?


Ora, respondendo à nossa proposta de criação de uma história que narrasse a importância do primeiro encontro com os olhos de alguém [ver post anterior], surgiram textos espantosos e bem diferentes:



"Lá estávamos nós, mais duas almas perdidas, com os olhos escurecidos pelos nossos mundos de solidão…

Encontrámo-nos por acaso e, como as duas pedras pioneiras do fogo, fizemos faísca. Logo surgiu uma chama dentro de nós, que dava cor e luz aos nossos olhos e mundos feitos de negrume. Porém, enquanto a minha chama ia crescendo, a tua ia desvanecendo e os teus olhos ficando mais e mais escuros.

Foi naquela noite, quando a tua escuridão clareou tudo, que a minha chama sucumbiu à tempestade da tristeza e da mágoa e, separados, seguimos para os nossos novos mundos negros."

L. M.




"Ela, uma simples rapariga, baixa, de cabelo castanho-claro aos caracóis e olhos cor das folhas no outono, olhava para os olhos dele, azuis e verdes, com listras amarelas.

Ela via nos olhos dele o mar, já ele via nos olhos dela uma tarde nos montes do Alentejo. E talvez os dois imaginassem um futuro juntos, mas, na verdade, naquele momento, os dois só viam os pés enterrados na areia da praia e sentiam um vento que, talvez, a pouco e pouco, se tornasse aconchegante."

A. A.



"Naquela tarde de primavera, estava a andar num parque, perto de um rio, quando subitamente me deparei contigo. Estavas a ler um livro e fingiste não me ver, mas, quando me alvejaste com teus olhos cor de mel, o tempo parecia ter congelado, e dei por mim perdido no teu olhar profundo, suave e tentador, que despertou de volta o amor que eu pensara já ter enterrado.

Hoje, ainda sonho contigo e com o teu olhar, o olhar que me inspira todos os dias."

R. C. 



"Já tinham olhado um para o outro. Ele já tinha reparado nos olhos azuis dela e ela já tinha reparado nos olhos cor de avelã dele. Agora, faziam de tudo para evitar olharem um para o outro, mas não conseguiam parar de observar a beleza de um e de outro.

Passara meia hora de troca de olhares e sorrisos corados, até que ela se levantou, disse adeus à senhora do balcão e se dirigiu para a saída. O sino tocou mostrando que a porta se abrira e, de repente, ele pôs-se à frente da porta. Gaguejou, mas faltou-lhe coragem e acabou por dizer: “Senhoras primeiro”..."

J. M.



"Era uma tarde de verão como todas as outras. Sol a brilhar, pássaros a cantar, para à noite vir um luminoso e lindo luar. 

Estava a passear quando passei pelo café e vi uma rapariga sentada. Tinha longos cabelos loiros e um vestido amarelo a condizer. Era um pouco mais baixa do que eu e mais bonita também. O que captou, porém, a minha atenção foram os seus olhos. Eram uns olhos simpáticos e sonhadores, cor de avelã. Lembravam-me folhas do outono, grandes e brilhantes, salpicadas de orvalho. Mas como uma folha de outono voa, também ela voou para longe, sem deixar rasto."

G. F



"Era sábado, as malas estavam prontas e aquele era o dia em que finalmente ia conhecer o meu primo que já tinha 2 anos e eu ainda só tinha visto por telemóvel. Como vivemos em cidades diferentes, tivemos que ir até lá. Demorou um pouco, mas por fim chegámos onde desejávamos. 

Estavam todos à nossa espera, mas quando cheguei só pude ver o seu cabelo loiro escuro e os seus olhos. Estes eram simples, comuns, castanhos, nem muito claros nem muito escuros, mas ao mesmo tempo eram tão diferentes, tão especiais e hipnotizantes que ninguém conseguia desviar o olhar."

E. A.



"Era uma tarde normal quando a vi e o meu coração parou: ela tinha o cabelo loiro e curto, umas bochechas fofas e uns olhos azuis, como um mar infinito e divino onde eu gostaria de velejar. Não parei de olhar para os seus olhos, queria parar para não parecer estranho, mas a minha paixão impediu-me de desviar o olhar. Queria falar com ela para poder contemplá-la por mais tempo, porém, por causa da minha timidez, não avancei e nunca mais a vi."

G. C. 



MUITOS PARABÉNS A TODOS!




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